Cientistas identificam cola superadesiva em espécie de bactéria

Bactéria produz supercola
26 de abril de 2006

Cientistas descobrem em microrganismo o mais poderoso adesivo conhecido na natureza, três vezes mais forte do que supercolas à venda em supermercados

Bactéria produz supercola

Cientistas descobrem em microrganismo o mais poderoso adesivo conhecido na natureza, três vezes mais forte do que supercolas à venda em supermercados

26 de abril de 2006

Cientistas identificam cola superadesiva em espécie de bactéria

 

Agência FAPESP - Uma cola muito mais poderosa do que os superadesivos à venda em supermercados e lojas de material de construção. Tão forte que é capaz de resistir, sem desprender, a uma força equivalente ao peso de quatro carros pendurados.

Essa cola já existe, mas ainda não está à venda. Na realidade, não foi fabricada nem saiu de laboratório algum. Trata-se de propriedade adesiva de uma bactéria, a Caulobacter crescentus, que está sendo considerada a mais poderosa cola da natureza.

Essa bactéria é muito comum em lugares molhados, como tubulações ou cascos de embarcações. É um dos primeiros microrganismos a surgir em materiais submersos em água. Difícil de desprender, resiste facilmente até mesmo à limpeza com jatos d’água de alta pressão. Sabia-se que a força adesiva era grande, mas ela nunca havia sido medida com precisão.

Por meio de uma técnica de micromanipulação, um grupo de pesquisadores das universidades de Brown e Indiana, nos Estados Unidos, conseguiu calcular a força de adesão da C. crescentus. A força de adesão medida entre a bactéria e um substrato utilizado foi superior a 68 newtons por milímetro quadrado. Superadesivos comerciais ficam na faixa dos 25 N/mm².

"Pelo nosso conhecimento, é a maior força de adesão já medida para adesivos biológicos", afirmaram os cientistas em artigo publicado na edição de 11 de abril da Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

Os pesquisadores querem agora entender quais são os fundamentos químicos e biológicos por trás da força de adesão, que poderá ser muito útil para estabelecer um modelo que possa ser aplicado em outras circunstâncias. Um dos possíveis usos estaria em colas cirúrgicas mais eficientes que as atuais, especialmente levando-se em conta que o adesivo da C. crescentus atua com bastante eficiência em superfícies molhadas.

O artigo Adhesion of single bacterial cells in the micronewton range, de Peter H. Tsang, Guanglai Li, Yves V. Brun, L. Ben Freund e Jay X. Tang, pode ser lido no site da Pnas, em www.pnas.org.


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