Foto: Nasa

Bactéria marciana

Nova espécie descoberta por cientistas americanos dispensa oxigênio, pode sobreviver em geleiras, fossas abissais e no lixo nuclear e fornece pistas para quais formas de vida poderiam existir em Marte

01 de agosto de 2003
Bactéria marciana

Nova espécie descoberta por cientistas americanos dispensa oxigênio, pode sobreviver em geleiras, fossas abissais e no lixo nuclear e fornece pistas para quais formas de vida poderiam existir em Marte

01 de agosto de 2003

Foto: Nasa

 

Agência FAPESP - Eles não precisam de oxigênio para viver, crescem em ambientes absolutamente inóspitos e fornecem pistas de que formas de vida poderiam existir em Marte. São organismos de uma espécie recém-descoberta por cientistas do Centro Nacional de Ciência e Tecnologia Espacial da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Os responsáveis pela descoberta, Richard Hoover e Elena Pikuta, encontraram a espécie, que batizaram de Spirochaeta americana, em sedimentos vulcânicos encontrados no Lago Mono, na Califórnia. Trata-se de um lago salgado, de base alcalina, localizado em uma região com vulcões dormentes.

O microorganismo, uma longa e fina bactéria, é conhecido como extremófilo, por ter a capacidade de sobreviver em ambientes extremos. Os extremófilos estão entre os mais velhos organismos do planeta e podem resistir em piscinas cheias de ácido, geleiras, fossas abissais, lixo nuclear e mesmo em formações rochosas dezenas de metros no interior do planeta.

"O ambiente no qual essas bactérias vivem é extremamente inóspito para o homem e para quase a totalidade das espécies", disse Elena, em comunicado divulgado pela Nasa. Diferente da bactéria encontrada, humanos e outros organismos multicelulares necessitam de oxigênio para sobreviver.

Pela capacidade de sobrevivência em condições extremas, os pesquisadores acreditam que a Spirochaeta americana possa contribuir com o estudo de quais formas de vida poderiam existir em Marte.

"Uma vez que os outros planetas do Sistema Solar não possuem atmosferas ricas em oxigênio, como a nossa, ao estudar microorganismos encontrados em regiões inóspitas nós poderemos descobrir como a vida poderia existir em Marte e em outros planetas", disse Hoover. "Se algum dia encontrarmos vida em outros planetas, provavelmente nossa primeira descoberta serão microorganismos."

A descoberta foi publicada, junto com mais três cientistas, no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology. Para ler o resumo do artigo clique aqui. . Para ler o artigo completo, é preciso estar registrado.


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