Diretor do Jardim Botânico do Missouri comenta para a Agência FAPESP estudo que aponta que, por causa da ação humana, as espécies de aves estão desaparecendo cem vezes mais rapidamente do que há 500 anos (foto: Stuart Pimm/divulgação)

Avis rara
04 de julho de 2006

Diretor do Jardim Botânico do Missouri comenta para a Agência FAPESP estudo que aponta que, por causa da ação humana, as espécies de aves estão desaparecendo cem vezes mais rapidamente do que há 500 anos

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Diretor do Jardim Botânico do Missouri comenta para a Agência FAPESP estudo que aponta que, por causa da ação humana, as espécies de aves estão desaparecendo cem vezes mais rapidamente do que há 500 anos

04 de julho de 2006

Diretor do Jardim Botânico do Missouri comenta para a Agência FAPESP estudo que aponta que, por causa da ação humana, as espécies de aves estão desaparecendo cem vezes mais rapidamente do que há 500 anos (foto: Stuart Pimm/divulgação)

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Desde o fim do século 15, quando europeus começaram a ter contato com um continente que não conheciam, 1,3% das 10 mil espécies de aves atualmente descritas foram extintas. Estima-se que a taxa de extinção era de uma espécie a cada século. Hoje, estimativas apontam para o desaparecimento de uma espécie a cada quatro anos.

Segundo um novo estudo feito nos Estados Unidos, a situação é ainda pior. Para os autores da pesquisa, publicada nesta segunda-feira (3/7) na edição on-line da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), as taxas atuais estão muito subestimadas.

"Ao lado de ilhas no oceano Pacífico, ou países como Colômbia, Equador e Bolívia, regiões como a Mata Atlântica brasileira também apresentam problemas", disse Peter Raven, diretor do Jardim Botânico de Missouri e um dos autores do trabalho, à Agência FAPESP. Para o pesquisador norte-americano, na costa brasileira há muitas espécies raras de aves vivendo em pequenos grupos, o que dificulta bastante a manutenção desse grupo taxonômico.

"Há situações críticas em outros pontos do mundo. Em linhas gerais, o problema é maior em áreas onde os grupos de aves são muito pequenos e a população humana ou o uso da terra crescem em um nível muito rápido", disse.

Por conta de todos esses problemas, e do maior conhecimento científico existente hoje em relação aos séculos passados (a maioria das espécies foi descrita pelos cientistas a partir de 1850), os pesquisadores defendem uma atualização na taxa de extinção das aves. Pelo novo cálculo, ela estaria em aproximadamente uma espécie extinta por ano.

Diante desse diagnóstico, e da estimativa de que a taxa possa crescer até dez vezes até o fim do século, o que significaria o fim de todas as espécies de aves, o próprio Raven indica o caminho para que tais animais, principalmente os raros, sejam preservados. E isso apenas poderá ser feito por quem, nos últimos 1,5 mil anos, destruiu as florestas tropicais do mundo: o homem.

"Preservar os hábitats das aves é fundamental. Precisamos trabalhar pela coexistência entre animais, plantas e humanos, principalmente nas cidades e em seus entornos", resume o pesquisador.

Em um processo de ocupação do Cerrado pela soja, por exemplo, como o que ocorre no Brasil, há espaço para ações diferentes das que estão sendo feitas. "Fragmentos da mata poderiam ser deixados intactos. Parques naturais poderiam ser criados. Pesticidas e fertilizantes deveriam ser utilizados de forma mais espaçada, e assim por diante", disse Raven.

O artigo Human impacts on the rates of recent, present, and future bird extinctions pode ser lido por assinantes no site da Pnas, em www.pnas.org.


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