Avanço nacional | AGÊNCIA FAPESP

Presidente da Academia Brasileira de Ciências conhece programas da FAPESP e discute com dirigentes da Fundação possibilidades de integração de pesquisas importantes para o desenvolvimento do país (foto: Eduardo Cesar)

Avanço nacional

29 de abril de 2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, participou nesta terça-feira (28/4), na sede da FAPESP, de reunião com representantes da Fundação e com coordenadores de alguns de seus principais programas de pesquisa. O objetivo foi aproximar as duas instituições e discutir possibilidades de interação para estudos e pesquisas.

Os três programas foram apresentados a Palis por seus respectivos coordenadores: o Programa FAPESP de Pesquisas em Bioenergia (BIOEN) por Glaucia de Souza, o Programa FAPESP de Pesquisa em Mudança Climática Global (PFPMCG) por Carlos Nobre e o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota) por Carlos Alfredo Joly.

Celso Lafer, presidente da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico, e Hernan Chaimovich, coordenador do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP e vice-presidente da ABC, apresentaram a Palis dados históricos sobre a Fundação paulista e descreveram seu desempenho em diversos setores, especialmente no apoio a pesquisa e na formação de recursos humanos de alto nível.

“É fundamental para a sociedade brasileira ter um conjunto de programas como esse. A reunião foi uma oportunidade excelente para trocar impressões sobre as prioridades envolvidas nesses temas e pudemos observar a coerência dessas iniciativas. A bioenergia, as mudanças climáticas e a biodiversidade são três temas de primeira relevância para o nosso país”, disse Palis à Agência FAPESP.

De acordo com ele, a ABC poderá tirar proveito da discussão de diversas maneiras e os debates com a FAPESP deverão motivar a formação de novos grupos de estudo dentro da academia.

“A ABC tem grupos de estudo sobre temas de importância científica, mas também ligados, em geral, aos interesses da sociedade e, portanto, dos governos. Um dos vários objetivos desses grupos é poder dar uma contribuição na orientação de políticas governamentais para apoiar o avanço do conhecimento em temas de primeira importância para a sociedade. Por isso nos interessa a aproximação com programas de pesquisa mais dirigidos, como os da FAPESP”, destacou.

Segundo ele, a integração entre as duas instituições já existe, devido à circulação de pesquisadores de ponta entre elas, mas a reunião foi uma oportunidade importante para trocar ideias sobre um possível estreitamento das relações.

“Vários dos pesquisadores presentes nos programas da FAPESP são membros da ABC e atuam em projetos da academia, como é o caso do professor Brito Cruz, que integra um grupo de biocombustíveis no qual tem uma participação muito importante. É o caso também do professor Chaimovitch, que é vice-presidente da ABC e faz parte de vários grupos de estudo”, disse.

Ao contrário do que ocorre com os programas apoiados pela FAPESP, segundo Palis, os grupos de estudos da ABC – que tratam de temas como mudanças climáticas, biocombustíveis, Amazônia, ensino de ciências, aprendizagem infantil, ensino superior e cooperação internacional – não são focados na produção de pesquisa para o avanço da ciência, mas na articulação e divulgação do conhecimento existente.

“Por isso, a interação entre as duas instituições é tão rica. A ABC está em uma posição interessante para trabalhar na articulação desse conhecimento produzido em São Paulo, com apoio da FAPESP, e em outras partes do país, fazendo-o chegar à sociedade, contribuindo para produzir boas políticas que permitam avançar ainda mais a ciência no país em benefício das cidades”, afirmou.

Atração de cérebros

De acordo com Palis, além de uma convergência na eleição dos temas cientificamente relevantes para a sociedade, FAPESP e ABC compartilham diversas outras posições.

“A FAPESP tem contribuído muito para a ciência do país e sua relação com a ABC transparece em muitos pontos. Discutimos na reunião, por exemplo, temas como a integração da academia com o setor produtivo, que tem valor muito grande para a ABC, uma vez que ela tem o objetivo de reunir as melhores cabeças do país”, disse.

A defesa das pesquisas com células-tronco – embrionárias ou não –, a defesa da pesquisa responsável com animais, as propostas de medidas que desburocratizem o fazer científico, permitindo seu avanço, e a luta para facilitar a importação de insumos para pesquisa são outros pontos comuns entre as duas entidades citados por Palis.

“Creio que o encontro terá desdobramentos. Essa oportunidade excelente terá reflexos na atuação da ABC. Pude observar ainda que os temas dos três programas de pesquisa são afins e poderão ter seus esforços integrados”, afirmou.

Segundo Palis, os três programas da FAPESP, por sua abrangência, poderão auxiliar na criação de um ambiente que atraia pesquisadores estrangeiros de qualidade, internacionalizando a pesquisa científica no Brasil.

“Fala-se muito em fuga de cérebros, mas isso não chega a ser um problema relevante, como já foi há algumas décadas. Tocamos nesse tema com outra perspectiva: acho que é importante também trazer para o Brasil gente muito competente e fortalecer o país como referência mundial. Temos uma oportunidade importante para isso neste momento de crise. Até mesmo jovens de países mais ricos serão atraídos, ao sentir que o Brasil está com programas mais intensos, com mais perspectivas futuras”, destacou.

As duas instituições já planejam um segundo encontro, nos quais serão ouvidos os cientistas que trabalham nos programas da FAPESP voltados às neurociências – Cooperação Interinstitucional de Apoio a Pesquisas sobre o Cérebro (CInAPCe) – e à tecnologia da informação – Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia).
 

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