Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa

Agressões domésticas
04 de julho de 2006

Fiocruz divulga levantamento sobre violência em idosos. Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa

Agressões domésticas

Fiocruz divulga levantamento sobre violência em idosos. Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa

04 de julho de 2006

Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - De 1991 a 2000, o número de brasileiros com mais de 60 anos aumentou 35%, enquanto a população com menos de 60 anos cresceu 14%. Em 2000, 13.436 idosos morreram por acidentes ou violência no país, com uma média de quase 37 por dia. A maioria, 66%, era homens.

Os dados foram levantados pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a partir do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS). A partir desse cenário, os pesquisadores da Fiocruz resolveram investigar o papel da violência no cotidiano dos idosos.

Foram analisadas as características do agressor e do tipo de agressão sofrida por 898 indivíduos com mais de 60 anos, de ambos os sexos, atendidos em 2004 pela Delegacia do Idoso e pelo Núcleo Especial de Atendimento à Pessoa Idosa (Neap), no Rio de Janeiro.

Edinilsa Ramos de Souza, responsável pelo levantamento, aponta que a maior parte dos maus-tratos ocorreu em indivíduos do sexo feminino. "Além de 62% das vítimas agredidas na Delegacia do Idoso e 76% no Neap serem mulheres, a grande maioria dos agressores também era do sexo feminino. Ou seja, temos um cenário em que mulheres mais jovens estão agredindo idosas", disse à Agência FAPESP. "Do ponto de vista da mortalidade, os homens estão à frente. Mas do lado da violência não letal a prevalência é de mulheres."

Com relação ao vínculo das vítimas com o agressor, 54% dos agressores eram filhos ou enteados da vítima e 17% amigos ou conhecidos. "Isso mostra que a maior parte da violência contra o idoso é doméstica. Aqueles que cuidam dos mais velhos não estão capacitados a fornecer a atenção especial de que seus familiares necessitam", disse a pesquisadora do Claves.

As duas principais queixas relatadas pelos idosos foram maus-tratos físicos ou psicológicos (48%) e apropriação indébita de bens (13%). Lesão corporal, crueldade e negligência, abandono, estelionato e discriminação vêm em seguida.

Sobre a relação entre violência e direitos dos mais velhos, o estudo aponta ainda que os idosos têm medo de prestar queixa, devido ao receio de serem abandonados pela família. "Com isso, a violência impede que eles busquem seus direitos. O pior é que cerca de 70% da violência sofrida pelos idosos não faz parte das estatísticas. Esses casos não chegam aos serviços de saúde", disse Edinilsa.


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