Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa
Fiocruz divulga levantamento sobre violência em idosos. Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa
Fiocruz divulga levantamento sobre violência em idosos. Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa
Apesar de a maioria das vítimas de mortes violentas ser masculina, os casos de agressão são mais comuns entre mulheres, especialmente em casa
Agência FAPESP - De 1991 a 2000, o número de brasileiros com mais de 60 anos aumentou 35%, enquanto a população com menos de 60 anos cresceu 14%. Em 2000, 13.436 idosos morreram por acidentes ou violência no país, com uma média de quase 37 por dia. A maioria, 66%, era homens.
Os dados foram levantados pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a partir do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS). A partir desse cenário, os pesquisadores da Fiocruz resolveram investigar o papel da violência no cotidiano dos idosos.
Foram analisadas as características do agressor e do tipo de agressão sofrida por 898 indivíduos com mais de 60 anos, de ambos os sexos, atendidos em 2004 pela Delegacia do Idoso e pelo Núcleo Especial de Atendimento à Pessoa Idosa (Neap), no Rio de Janeiro.
Edinilsa Ramos de Souza, responsável pelo levantamento, aponta que a maior parte dos maus-tratos ocorreu em indivíduos do sexo feminino. "Além de 62% das vítimas agredidas na Delegacia do Idoso e 76% no Neap serem mulheres, a grande maioria dos agressores também era do sexo feminino. Ou seja, temos um cenário em que mulheres mais jovens estão agredindo idosas", disse à Agência FAPESP. "Do ponto de vista da mortalidade, os homens estão à frente. Mas do lado da violência não letal a prevalência é de mulheres."
Com relação ao vínculo das vítimas com o agressor, 54% dos agressores eram filhos ou enteados da vítima e 17% amigos ou conhecidos. "Isso mostra que a maior parte da violência contra o idoso é doméstica. Aqueles que cuidam dos mais velhos não estão capacitados a fornecer a atenção especial de que seus familiares necessitam", disse a pesquisadora do Claves.
As duas principais queixas relatadas pelos idosos foram maus-tratos físicos ou psicológicos (48%) e apropriação indébita de bens (13%). Lesão corporal, crueldade e negligência, abandono, estelionato e discriminação vêm em seguida.
Sobre a relação entre violência e direitos dos mais velhos, o estudo aponta ainda que os idosos têm medo de prestar queixa, devido ao receio de serem abandonados pela família. "Com isso, a violência impede que eles busquem seus direitos. O pior é que cerca de 70% da violência sofrida pelos idosos não faz parte das estatísticas. Esses casos não chegam aos serviços de saúde", disse Edinilsa.
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