Cientistas fazem um mapa do afundamento da cidade de Nova Orleans
(foto: NOAA)

Afundamento crônico
01 de junho de 2006

Estudo analisa o comportamento do solo na região de Nova Orleans por três anos antes do Katrina. Os pontos onde a taxa de afundamento foi maior coincidem com as falhas dos sistemas de diques

Afundamento crônico

Estudo analisa o comportamento do solo na região de Nova Orleans por três anos antes do Katrina. Os pontos onde a taxa de afundamento foi maior coincidem com as falhas dos sistemas de diques

01 de junho de 2006

Cientistas fazem um mapa do afundamento da cidade de Nova Orleans
(foto: NOAA)

 

Agência FAPESP - Os diques erguidos para proteger de enchentes a cidade de Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos, foram projetados na década de 1960. Depois disso, além do afundamento natural da região, projetos de drenagem também retiraram sedimentos de alguns locais.

Boa parte desse processo, como mostra estudo publicado na revista Nature desta quinta-feira (1º/6), culminou com um evento catastrófico em 29 de agosto de 2005, o furacão Katrina, que provocou a morte de cerca de 1,6 mil pessoas.

Pesquisadores dos Estados Unidos e da Itália fizeram um mapa do afundamento da região. Para isso, utilizaram imagens feitas por satélites durante os três anos que antecederam o evento devastador.

A média anual de afundamento calculada para toda a cidade foi de 5,6 milímetros. Em alguns pontos, o solo cedeu 29 milímetros em 12 meses. Em relação ao nível médio do mar, que subiu 2 milímetros por ano na costa sul dos Estados Unidos, toda Nova Orleans ficou 8 milímetros mais baixa em apenas um único ano.

Como os pesquisadores acreditam que essa taxa obtida entre 2002 e 2005 possa ser extrapolada para toda a vida útil dos diques, é fácil perceber o problema. Essas construções para contenção das águas do mar e do rio Mississipi ficaram, em média, mais de um metro menor desde os anos 1960.

As mortes registradas em agosto de 2005 ocorreram porque o fluxo das águas subiu entre 90 centímetros e 1,7 metro. Um dos pontos onde o sistema de diques mostrou mais vulnerabilidade foi exatamente no canal que faz a ligação entre parte da cidade e o rio Mississipi. Nessa zona, a taxa média de afundamento registrada pelo estudo foi de 20 milímetros por ano.

A fragilidade do terreno, explicam ainda os pesquisadores, pode ter contribuído também para a deterioração dos diques, que teriam ficado mais desgastados ao longo do tempo. Os cientistas defendem a tese de que durante os primeiros anos das construções o nível de afundamento deles deve ter sido ainda maior.

O artigo Subsidence and flooding in New Orleans, de Gregory Bewley e colaboradores, pode ser lido, por assinantes, no site www.nature.com.


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