Agência FAPESP – Uma nova pesquisa, feita na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo, indica que pacientes com diagnóstico de síndrome metabólica e que estavam sob tratamento medicamentoso com anti-hipertensivos, antilipêmicos (redutores de colesterol) e agentes antidiabéticos apresentam elevado índice de adesão ao tratamento, apesar de demonstrar desconhecimento sobre os fatores de riscos cardiovasculares, fortemente relacionados ao distúrbio.
O principal objetivo do estudo, publicado na revista Clinics, foi avaliar o nível de adesão de portadores de síndrome metabólica ao tratamento medicamentoso. Além disso, os pesquisadores investigaram a associação entre a adesão, acesso e uso de medicamentos e o conhecimento dos fatores de risco cardiovasculares, considerando as variáveis clínicas, sociais e demográficas.
De acordo com uma das autoras, Nilcéia Lopes, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Fármacos e Medicamentos da FCF, a síndrome metabólica pode ser entendida como um conjunto de fatores de risco que, ocorrendo simultaneamente em um mesmo indivíduo, aumenta a chance de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes do tipo 2.
“Indivíduos com síndrome metabólica apresentam três vezes mais probabilidade de sofrer infarto ou acidente vascular cerebral, quando comparados com aqueles que não a apresentam. Entre os fatores de risco se destacam a presença de sobrepeso ou obesidade – especialmente a obesidade abdominal –, a hipertensão arterial, o estado de pré-diabetes ou mesmo diabetes e alterações no metabolismo dos lipídios, especialmente no aumento de triglicérides”, disse à Agência FAPESP.
O estudo foi realizado em duas fases. Na primeira, foi feita a coleta e análise das informações registradas nos prontuários médicos, com o objetivo de identificar pacientes com diagnóstico de síndrome metabólica. Nessa primeira fase, foram identificados 550 registros de hipertensos e/ou diabéticos.
Segundo Nilcéia, devido à falta do diagnóstico explicitado de síndrome metabólica o primeiro passo foi identificar os registros eletrônicos de pacientes. “Após a etapa da coleta de dados, foram identificados 243 pacientes elegíveis para a etapa posterior, que pretendeu confirmar o diagnóstico de síndrome metabólica, avaliar a adesão ao tratamento medicamentoso e determinar as associações entre as variáveis analisadas. Concluíram essa fase 75 pacientes”, explicou.
A média de idade dos entrevistados foi de 63 anos, sendo que 54% deles eram mulheres. Cerca de 47% dos entrevistados tinham baixa escolaridade, com menos de quatro anos de estudo formal. E cerca de 60% deles possuíam baixa renda familiar, de até cinco salários mínimos mensais.
A média da circunferência da cintura foi de 112 centímetros para os homens e 103 para as mulheres. Para a população brasileira, segundo o estudo, medidas iguais ou superiores a 80 centímetros para mulheres e a 90 centímetros para homens caracterizam a presença de obesidade abdominal.
De acordo com Nilcéia, um ponto de destaque foi o baixo nível de conhecimento sobre dieta e dislipidemia – o aumento anormal da taxa de lipídios no sangue – apresentado pelos entrevistados. “É fato que conhecimento sobre doenças e seus tratamentos não é garantia de adesão, mas é um importante fator para a participação ativa do paciente nas decisões relativas ao seu estado de saúde”, afirmou.
Em relação ao conhecimento dos fatores de risco cardiovascular, 47% dos pacientes exibiram bom nível, ou seja, acertaram pelo menos 75% de todas as perguntas. “Mas quando a análise foi realizada para cada grupo de perguntas separadamente, verificou-se baixo nível de conhecimento sobre dieta e dislipidemia”, disse.
Todos os participantes do estudo utilizaram o Sistema de Saúde para a obtenção de medicamentos. No entanto, 34,7% dos entrevistados relataram comprometer até 10% da renda familiar com medicamentos.
Também assinam o artigo Antonio Carlos Zanini, da FCF-USP, orientador do estudo, e Antonio Casella-Filho e Antonio Carlos Palandri Chagas, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Para ler o artigo Metabolic syndrome patient compliance with drug treatment, de Nilcéia Lopes e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.
Republicar
A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.


