O telescópio traz embutido um espelho principal de 4,2 metros de diâmetro, ou 1,6 mil vezes mais potente que o maior telescópio em solo brasileiro (foto: Soar)

Abertura para o Universo
15 de abril de 2004

A 2,7 mil metros de altitude, nos Andes chilenos, irá ocorrer no sábado (17/4) um dos principais momentos da história da astronomia brasileira. Trata-se da inauguração do telescópio Soar, 1,6 mil mais potente do que o maior existente no Brasil e considerado uma revolução na astronomia do continente

Abertura para o Universo

A 2,7 mil metros de altitude, nos Andes chilenos, irá ocorrer no sábado (17/4) um dos principais momentos da história da astronomia brasileira. Trata-se da inauguração do telescópio Soar, 1,6 mil mais potente do que o maior existente no Brasil e considerado uma revolução na astronomia do continente

15 de abril de 2004

O telescópio traz embutido um espelho principal de 4,2 metros de diâmetro, ou 1,6 mil vezes mais potente que o maior telescópio em solo brasileiro (foto: Soar)

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - A árida região ao norte do Chile, onde o céu permanece limpo em aproximadamente 360 noites do ano, será testemunha. Está marcado para sábado (17/4) a inauguração do observatório Soar (sigla de Southern Observatory for Astrophysical Research). O equipamento, o mais moderno construído em parte com recursos nacionais, está instalado, e pronto para ser usado, no alto do Cerro Pachon, a 80 quilômetros da cidade litorânea de La Serena.

A enorme construção branca a 2,7 mil metros de altitude traz embutido um espelho principal de 4,2 metros de diâmetro, ou 1,6 mil vezes mais potente que o maior telescópio em solo brasileiro. Para se ter uma idéia da grandiosidade, o espelho é duas vezes maior do que o do telescópio espacial Hubble. Com isso, o Soar deverá fornecer imagens muito precisas para o estudo do Universo.

"Não existe outra expressão que dê a correta dimensão desse marco que não seja a idéia de revolução", disse João Steiner, presidente do Consórcio e do Conselho Diretor do Soar, à Agência FAPESP. "Claro que essa revolução não vai ocorrer logo após a inauguração. Em ciência nós temos uma dinâmica própria."

O também diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo não esconde que, em seu discurso de abertura no sábado, a aproximadamente 100 convidados em Cerro Pachon, será difícil conter a emoção. "Esse projeto é uma grande realização para a astronomia brasileira", afirmou.

Há exatos seis anos, quando a pedra fundamental do Soar foi lançada, Steiner preferiu usar uma metáfora futebolística, como lembra Francisco Romeu Landi, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, que também estará presente na inauguração oficial. "Ele disse, corretamente, que a astronomia brasileira deixava a segunda divisão e passava a integrar a primeira. Agora, temos também uma grande ferramenta para isso", disse Landi, ratificando as palavras de Steiner de que a qualidade dos cientistas brasileiros nessa área já foi comprovada como sendo excelente e faltava apenas um acesso maior aos telescópios.

Nos últimos anos, o esforço pessoal de Steiner na realização do projeto carrega com cores mais vivas a alegria pela inauguração. Em março de 1999, o atual presidente do Soar acabou no hospital, vítima de uma crise de estresse derivada de problemas relacionados à construção do telescópio.

"Guardada as devidas proporções – porque no Soar se gastou menos dinheiro e não se usou tecnologia 100% nacional – podemos fazer um paralelo, em termos dos enlouquecedores esforços, com a construção do Laboratório de Luz Síncrotron (inaugurado em julho de 1997)", disse Steiner.

Além do Brasil, que entrou no projeto com US$ 10 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e US$ 2 milhões da FAPESP, outras três instituições de pesquisa dos Estados Unidos fazem parte do consórcio. A National Optical Astronomy Observatories, a Universidade da Carolina do Norte e a Universidade Estadual de Michigan. O custo total ficou em US$ 28 milhões.

Após a inauguração, o Soar deve demorar três meses para começar a operar como esperado. Segundo Steiner, nessa primeira fase, haverá a necessidade de que parte da equipe esteja no Chile. "Mesmo assim, todas as operações poderão ser acompanhadas pelo computador aqui do Brasil", esclareceu.

Clique aqui para ler mais sobre o telescópio Soar, em reportagem da nova edição da revista Pesquisa FAPESP


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