Parque Augusta, na região central de São Paulo (foto: Shutterstock)

Mídia Ciência
Ferramenta ajuda a escolher os melhores locais para novos parques em São Paulo

Pesquisa conduzida na USP avaliou 211 propostas da administração municipal para otimizar a criação de áreas verdes com foco em recreação, conforto térmico e infiltração de água no solo

11 de setembro de 2026
Mídia Ciência
Ferramenta ajuda a escolher os melhores locais para novos parques em São Paulo

Pesquisa conduzida na USP avaliou 211 propostas da administração municipal para otimizar a criação de áreas verdes com foco em recreação, conforto térmico e infiltração de água no solo

11 de setembro de 2026

Parque Augusta, na região central de São Paulo (foto: Shutterstock)

 

Tatiana Maria | Agência FAPESP * – Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-SP), em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), criou uma ferramenta prática para ajudar a escolher os melhores locais para implantar novos parques e áreas verdes nas cidades.

“No laboratório, estamos muito focados em trabalhar com soluções baseadas na natureza e ambientes urbanos. Como o meu propósito era entender de que forma essas soluções poderiam melhorar a qualidade de vida da população e já havia muitos dados sobre o assunto, nós tivemos a ideia de investigar como priorizar e alocar essas soluções de maneira inteligente, para maximizar o custo-benefício e os impactos positivos desses locais para toda a população”, explica Gabriel Moreno Tarragô, pesquisador do Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação da USP e um dos autores da pesquisa, feita por participantes do BIOTA Síntese, projeto apoiado pela FAPESP no âmbito do programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs).

O estudo, que analisou 211 projetos de parques propostos pela SVMA, avaliou, além da recreação, a potencialidade de mais dois serviços ecossistêmicos providos por parques urbanos que são essenciais em grandes cidades como São Paulo: regulação térmica e infiltração hídrica (capacidade do solo de absorver a água da chuva, fundamental para reduzir o escoamento superficial e prevenir alagamentos). Os resultados foram publicados no periódico Urban Forestry & Urban Greening.

Segundo Tarragô, a criação de parques urbanos geralmente é influenciada por muitos fatores, como pressão social, interesses políticos e disponibilidade de recursos financeiros. Porém, esses fatores, sem um planejamento estratégico, na maioria das vezes limitam os benefícios sociais e ambientais que esses espaços verdes poderiam oferecer.

“Ao priorizar um fator em detrimento de outro na implementação dos parques, o projeto pode acabar desperdiçando diversos serviços ecossistêmicos que um parque poderia proporcionar. Por isso, planejamento, priorização e otimização espacial eficiente são importantes”, explica.

Interface entre ciência e gestão pública

A pesquisa realizou diversas simulações de possíveis cenários para a implantação dos parques, por meio da quantificação dos custos envolvidos e do potencial deles para fornecer serviços de regulação climática, infiltração de água e recreação. Na pesquisa foi empregada uma abordagem que integrou a oferta, a demanda e o fluxo desses três serviços ecossistêmicos com uma ferramenta de otimização espacial para a simulação dos diferentes cenários de priorização. Os custos dos parques foram avaliados de acordo com três critérios –desapropriação de área, implementação e manutenção.

O conjunto de dados resultantes das análises proporcionou uma quantificação inédita dos custos, benefícios e provisões ecossistêmicas de cada parque estudado. Assim foi possível identificar quais são as priorizações que esses projetos devem considerar de acordo com seus objetivos específicos. “Se há um recurso financeiro disponível e o objetivo da implementação do parque é a regulação térmica da cidade, hoje nós conseguimos saber quais projetos conseguem trazer um melhor retorno climático possível, dentro do limite orçamentário proposto”, exemplifica Tarragô.

Além disso, os resultados indicam que o equilíbrio entre os custos e benefícios da criação e manutenção desses espaços é crucial nas compensações entre os serviços ecossistêmicos. Esse equilíbrio também ajuda a distribuir mais igualmente os serviços e benefícios para toda a cidade.

Outro aspecto importante da pesquisa é seu caráter transdisciplinar. A colaboração entre ciência e gestão pública em São Paulo gera um modelo replicável de otimização para priorizar a implementação de espaços verdes nas cidades. A ferramenta, segundo os pesquisadores, tem o potencial de auxiliar diferentes populações a enfrentar, de maneira planejada, tanto os desafios cotidianos dos centros urbanos como os impactos negativos dos eventos climáticos extremos.

O artigo Integrating ecosystem services and optimization analyses to prioritize green spaces implementation in a Global South megacity pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1618866726000543.

* Tatiana Maria é bolsista de Jornalismo Científico da FAPESP vinculada ao BIOTA Síntese.
 

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