Medicamento combina um novo anticorpo recombinante capaz de inibir a calicreína tecidual humana 7, enzima associada ao excesso de descamação da pele, com uma via de aplicação à base de hidrogel (imagem: KRABS Biotechnology/divulgação)

Desenvolvimento de Fármacos
Medicamento brasileiro para doenças de pele obtém patente nos Estados Unidos

Anticorpo monoclonal foi desenvolvido por startup apoiada pelo programa PIPE-FAPESP e vinculada a pesquisadores do CTS-Cevap, um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento da Fundação

06 de maio de 2026
Desenvolvimento de Fármacos
Medicamento brasileiro para doenças de pele obtém patente nos Estados Unidos

Anticorpo monoclonal foi desenvolvido por startup apoiada pelo programa PIPE-FAPESP e vinculada a pesquisadores do CTS-Cevap, um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento da Fundação

06 de maio de 2026

Medicamento combina um novo anticorpo recombinante capaz de inibir a calicreína tecidual humana 7, enzima associada ao excesso de descamação da pele, com uma via de aplicação à base de hidrogel (imagem: KRABS Biotechnology/divulgação)

 

Agência FAPESP * – Um anticorpo monoclonal (mAb) para o tratamento de doenças de pele teve seu registro de patente nos Estados Unidos conquistado pela startup brasileira KRABS Biotechnology. O projeto é conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) vinculados ao Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos (CTS), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) da FAPESP sediado no Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu.

Os mAbs são proteínas produzidas em laboratório que atuam como anticorpos naturais do sistema imunológico.

O medicamento é o primeiro bioproduto da startup, apoiada pelo Programa FAPESP de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e fundada por Marcelo Zani, pesquisador de pós-doutorado na Unifesp com bolsa da Fundação, e Luciano Puzer, da UFABC, tendo como sócios os professores da Unifesp e do CTS-Cevap Vitor Oliveira e Jair Chagas (leia mais em: agencia.fapesp.br/56252).

Um dos principais alvos terapêuticos do medicamento é a dermatite atópica, uma condição caracterizada por ressecamento da pele e coceira persistente que afeta entre 15% e 25% das crianças e cerca de 7% dos adultos no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Os principais tratamentos para dermatite atópica atualmente são os corticoides e os imunomoduladores, que atuam em vias da resposta inflamatória e do sistema imunológico. No entanto, seu uso contínuo não é recomendado por causa dos diversos efeitos colaterais, incluindo o desenvolvimento de resistência pelos pacientes.

A formulação do fármaco combina um novo anticorpo recombinante (um mAb gerado pela inserção de sequências de genes de anticorpos modificados) capaz de inibir a calicreína tecidual humana 7 (KLK7), enzima associada ao excesso de descamação da pele, com uma via de aplicação à base de hidrogel. Embora já existam no mercado produtos que utilizam anticorpos recombinantes para tratar a dermatite atópica, eles são administrados por injeção subcutânea.

O registro de patente do fármaco nos Estados Unidos garante o direito exclusivo de produzir, utilizar e comercializar o medicamento, seu princípio ativo e seu método de fabricação por um período determinado. A tecnologia também possui pedidos de patente no Brasil e na Europa.

* Com informações de Juliana Marques, do CTS-Cevap.
 

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