O CCD-SHQV irá coletar amostras de esgoto semanalmente em pontos estratégicos de São Carlos que serão georreferenciadas, ou seja, associadas a cada bairro de origem (foto: SAAE/divulgação)

Saúde Pública
Novo centro da FAPESP usará IA para ajudar São Carlos a monitorar o esgoto e prever surtos de doenças
12 de janeiro de 2026

Centro de Ciência para o Desenvolvimento unirá a USP de São Carlos, a UFSCar, a Embrapa e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto

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O CCD-SHQV irá coletar amostras de esgoto semanalmente em pontos estratégicos de São Carlos que serão georreferenciadas, ou seja, associadas a cada bairro de origem (foto: SAAE/divulgação)

 

Agência FAPESP – Durante o período da pandemia da COVID-19, a análise de resíduos urbanos se tornou uma ferramenta essencial para detectar a evolução da carga viral. Agora, um grupo de pesquisadores de São Carlos (SP) quer levar essa ideia adiante, transformando o esgoto em uma fonte contínua de informações sobre saúde, meio ambiente e qualidade de vida da população.

É com esse propósito que São Carlos vai sediar um novo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) apoiado pela FAPESP, voltado à Saúde Hidrossanitária e Qualidade de Vida (SHQV). O SHQV tem parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e será coordenado por Emanuel Carrilho, do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP). Com um investimento de quase R$ 10 milhões, a previsão é que o projeto se estenda pelos próximos cinco anos.

De acordo com André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP e um dos pesquisadores do novo CCD, as ferramentas de inteligência artificial (IA) serão utilizadas para cruzar informações químicas, biológicas e socioeconômicas, revelando padrões que podem ajudar a prever e prevenir doenças, mapear poluição e orientar políticas públicas.

“Estamos falando de um modelo que pode transformar o modo como as cidades monitoram a saúde pública e o meio ambiente. A IA será a ponte entre os dados coletados e as ações que podem melhorar a vida das pessoas”, disse Carvalho à Assessoria de Comunicação do ICMC-USP.

O CCD-SHQV irá coletar amostras de esgoto semanalmente em pontos estratégicos de São Carlos que serão georreferenciadas, ou seja, associadas a cada bairro de origem. Cada coleta permitirá identificar a presença de microrganismos, vírus, bactérias, parasitas, hormônios, pesticidas, metais pesados e resíduos de medicamentos. Esses dados, quando cruzados com indicadores de saúde, educação e renda, formarão um retrato inédito da cidade.

“Com essas informações, poderemos antecipar o surgimento de doenças [pandemias], localizar fontes de contaminação industrial e até reconhecer padrões de consumo de substâncias em diferentes áreas da cidade”, explicou Carrilho. Segundo o cientista, o objetivo é que, ao final de cinco anos, o projeto possa ser replicado em outras cidades, ajudando gestores a tomar decisões mais eficientes e baseadas em dados reais.

O centro também prevê a participação ativa de estudantes de graduação e de pós-graduação, oferecendo bolsas de pesquisa e capacitação em ciência de dados, química ambiental e biologia molecular. “Será uma oportunidade ímpar de formação e de desenvolvimento de métodos analíticos aplicados a um problema real, com impacto direto na sociedade”, concluiu o professor do ICMC-USP.
 

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