Costa relembra que, na segunda metade dos anos 80, havia uma corrida entre dezenas de laboratórios de Yale, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, e da Universidade de Boston, entre outras, para identificar o gene relacionado à anemia falciforme: “Eram competidores, mas colaboravam entre si” (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Entrevista
‘Para ganhar um Nobel, o Brasil precisa de mais gente fazendo pesquisa’

Avaliação foi feita pelo hematologista Fernando Ferreira Costa, ex-reitor da Unicamp, em entrevista ao Centro de Memória FAPESP

24 de setembro de 2026
Entrevista
‘Para ganhar um Nobel, o Brasil precisa de mais gente fazendo pesquisa’

Avaliação foi feita pelo hematologista Fernando Ferreira Costa, ex-reitor da Unicamp, em entrevista ao Centro de Memória FAPESP

24 de setembro de 2026

Costa relembra que, na segunda metade dos anos 80, havia uma corrida entre dezenas de laboratórios de Yale, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, e da Universidade de Boston, entre outras, para identificar o gene relacionado à anemia falciforme: “Eram competidores, mas colaboravam entre si” (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

 

Agência FAPESP – Quando perguntam ao hematologista Fernando Ferreira Costa, ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o que é necessário para o Brasil ganhar um Nobel, ele responde: “Mais gente fazendo pesquisa”. Em entrevista ao Centro de Memória FAPESP, Costa deu o exemplo da hematologia, área em que há “gente de qualidade”, mas poucos grupos de pesquisa.

Essa foi uma das lições do período de estágio de pós-doutorado no laboratório de Bernard G. Forget, na Escola de Medicina de Yale, nos Estados Unidos, entre 1987 e 1989. Ali, aprendeu a aplicar as metodologias de biologia molecular nas pesquisas sobre anemia falciforme que vinha desenvolvendo desde o doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).

Outra lição foi que a competição e a colaboração são mais eficazes quanto maior for o número de parceiros. Ele conta que, na época, havia uma corrida entre dezenas de laboratórios de Yale, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, e da Universidade de Boston, entre outras, para identificar o gene relacionado à anemia falciforme. “Eram competidores, mas colaboravam entre si.”

Em Yale, o estudo foi bem-sucedido. “Descrevemos a proteína anquirina e conseguimos publicar”, lembra Costa. Mas Peter Agre, de Baltimore, descobriu as aquaporinas, fundamentais no transporte de água para dentro e para fora das células, e levou o Nobel de Química de 2003. “Você precisa ter gente boa e bastante gente trabalhando para ser capaz de descobrir coisas novas.”

Na entrevista, Costa fala também de sua trajetória de pesquisa – desde a graduação na FMRP-USP até seu ingresso na Unicamp, onde foi professor titular de Hematologia e Hemoterapia na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e também fez carreira administrativa, ocupando os cargos de coordenador do Hemocentro, diretor da FCM, pró-reitor de Pesquisa, coordenador-geral e reitor, sem interromper atividades em sala de aula ou a pesquisa.

Participou da entrevista a médica Sara Olalla Saad, professora titular de Hematologia da Unicamp, que foi aluna de Costa no doutorado.

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.