Agência FAPESP - O discurso da preservação da biodiversidade não pára de se expandir em todo o mundo. Se a importância da conservação das espécies, tanto da flora como da fauna, é uma realidade, também é um fato concreto que nem sempre se sabe com exatidão o que deve ser preservado e ainda mais em qual região do planeta. O problema está ainda mais presente dentro das fronteiras brasileiras.
"Existem autores que defendem a tese de que o conhecimento da biodiversidade no Brasil é dez vezes menor do que o tamanho real dessa mesma diversidade", disse à Agência FAPESP Luiz Henrique Branco, do Departamento de Zoologia e Botânica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São José do Rio Preto. O pesquisador proferiu uma conferência nesta quarta-feira (21/7), em Cuiabá, durante a 56ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
"O conhecimento biólogico é o alicerce básico para todo projeto de conservação. Para qualquer construção é preciso que se tenha primeiro os tijolos", disse o pesquisador.
Segundo Branco, apesar de a própria busca por novas espécies e das relações dessas comunidades com fatores ambientais (abióticos) e também biológicos (bióticos) serem atividades sem glamour – ao contrário da badalada genômica – elas são fundamentais. "Grupos como os ácaros, nematóides, fungos, bactérias, algas, briófitas, pteridófitas e invertebrados aquáticos, no geral, em todo o Brasil, são pouquíssimos conhecidos", explicou.
Além disso, na visão do pesquisador, que tem desenvolvido estudos com macroalgas que vivem em ambientes lóticos (águas correntes com um fluxo contínuo e unidirecional), em diferentes regiões de São Paulo e também na cidade de Bonito (MS), o conhecimento biológico básico tem uma aplicação direta em duas atividades que são consideradas por ele essenciais para que a preservação possa realmente ocorrer.
"Hoje, nas atividades de educação ambiental e também de ecoturismo, é preciso saber quais são as espécies que estão naquele ambiente e como elas se comportam ao longo das quatro estações. O conhecimento biológico básico é também uma fonte de renda nesse caso", disse.
Na visão do pesquisador, no campo essencialmente científico, além de o monitoramento biológico hoje ser o mais recomendado para saber se determinada área geográfica está ou não impactada, o conhecimento básico sobre as espécies em geral está correndo sérios riscos de extinção, por um motivo nem sempre discutido.
"Faltam taxonomistas. É preciso ter em mente que a identificação de novas espécies é uma carreira dinâmica e moderna. Acabou aquela história de ficar enfiado em um laboratório, dedicando-se a uma única peça. Hoje, a taxonomia se relaciona com a ecologia, com a genética. Essa ciência precisa dessas relações para se tornar mais robusta. Precisamos formar gente nesse campo", defendeu Branco.
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