Agência FAPESP - Sentimento de urgência. Esse deve ser o lema para que as empresas consigam se comunicar com o governo e formar um diálogo estreito voltado para o aumento da capacidade inovadora.
Segundo Pedro Arboleda, especialista em competitividade econômica do Monitor Company Group, dos Estados Unidos, resultados expressivos em competitividade e inovação normalmente são obtidos no longo prazo e, por conta disso, tais processos devem ser implementados o mais rapidamente possível.
"Uma pitada de paranóia faz a diferença, pois são inúmeras as barreiras para a inovação. Se quiserem ter sucesso nessa área, os empresários têm que enxergar a inovação como uma maratona, e não como uma corrida de curta distância. Como as mudanças necessárias levam tempo para ocorrer, é preciso começar o quanto antes", afirmou na palestra Inovação como ferramenta estratégica para competir, realizada durante a 6ª Conferência Anual da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), que termina nesta quarta-feira (7/6), no Rio de Janeiro.
Para que a inovação tenha forte impacto na economia de um país, sugere Arboleda, é preciso adotar esforços conjuntos de incentivo nas universidades, instituições governamentais e empresas. A construção de uma "cultura inovadora" deve ser sustentada, segundo ele, sobre três pilares fundamentais.
O primeiro seria a criação de grupos de empresas inovadoras ou instituições que trabalhem em conjunto para o desenvolvimento local. "As corporações, cada vez mais, dependem desse tipo de interação para melhorar seus processos inovadores. Ainda que, no início, elas não consigam incorporar a inovação de fato, já é uma grande vantagem poderem usar esse intercâmbio local para otimizar suas operações internas", afirmou.
Arboleda entende que tais conjuntos empresariais devem ser formados principalmente por pequenas e médias empresas. "Essa política de agrupamentos locais deve criar um ambiente de negócio competitivo e justo que possa se refletir em outros ambientes de negócios nos quais a empresa poderá operar. São entidades que trabalham em parceria visando ao aumento de produtividade", disse.
O segundo pilar, segundo o consultor, é a da adoção de estratégias de mercado com base em capital de risco, o que seria possível por meio da criação de uma cultura voltada para a experimentação. "O empresário deve ter habilidades para suportar riscos e não ter o estigma da falência", apontou.
Entender a visão de liderança, que também pode ser propiciada pela capacidade de inovação da empresa, é a constituinte principal do terceiro pilar. "Para isso, os empresários precisam aproveitar as reduções tarifárias e os incentivos fiscais no financiamento das atividades de pesquisa e desenvolvimento", disse.
Segundo Arboleda, os empresários precisam sempre questionar até que ponto as leis de inovação vigentes no país onde atuam estão sendo suficientes para fomentar a competitividade de suas operações.
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