Agência FAPESP - Refletir sobre os usos ritual e religioso de plantas psicoativas, praticados em diferentes culturas e épocas. Estimular a discussão sobre essas substâncias no campo das ciências humanas, destacando-se a relevância de sua abordagem sociocultural.
Esses são alguns dos objetivos do livro O uso ritual das plantas de poder, organizado por Beatriz Labate e Sandra Goulart, do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), que reúne pesquisadores da Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Universidade Federal da Bahia.
A obra reúne 15 artigos escritos por especialistas do Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Itália e Finlândia. São analisados diversos contextos de consumo de plantas psicoativas por meio do enfoque da etnologia, antropologia, história e etnobotânica.
"A idéia central é mostrar de que forma os psicoativos estão presentes em várias dimensões da vida social. Essas substâncias podem ser utilizadas em forma de arte ou terapia, para fins culinários, estéticos e medicinais ou até mesmo para promover a guerra e praticar feitiçaria", disse Beatriz Caiuby Labate, organizadora do livro, à Agência FAPESP.
Entre as substâncias descritas estão um tipo de rapé com propriedades alucinógenas (utilizado em rituais indígenas na Amazônia), raízes como a jurema nordestina ou a iboga do Gabão (na África), a folha de coca encontrada nos Andes e a ayahuasca, derivada de plantas nativas da floresta amazônica e usada em rituais religiosos na selva peruana e até nos grandes centros urbanos brasileiros (como no Santo Daime).
"Essas substâncias têm um papel fundamental na organização da sociedade. Por isso, mais importante do que discutir a sua proibição, é preciso conhecer as formas saudáveis de sua utilização. Quando analisamos algumas comunidades indígenas, camponesas e até mesmo urbanas em todo o mundo, conseguimos ter uma visão ampla de como essas substâncias podem ser integradas na vida social", afirma Beatriz.
O livro O uso ritual das plantas de poder, da editora Mercado de Letras, será lançado durante o simpósio "Drogas: Controvérsias e Perspectivas", que será realizado nos dias 29 e 30 de setembro, em São Paulo. O evento é promovido pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, pelo Departamento de História e pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, todos da USP.
Mais informações: www.neip.info ou www.mercado-de-letras.com.br.
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