Agência FAPESP - Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, desenvolveram uma nova técnica para o cultivo de plantas em hidroponia. O diferencial em relação ao plantio hidropônico tradicional está em uma solução aquosa capaz de fornecer todos os nutrientes essenciais às plantas de forma equilibrada, sem a necessidade de corrigir a acidez (pH) da água. Na nova solução, os vegetais podem ser cultivados em casas ou apartamentos.
O projeto "Desenvolvimento e aperfeiçoamento de produtos e processos para hidroponia comercial e residencial" serviu de incentivo para que a AquaPlanta Viçosa, empresa de base tecnológica graduada pela Incubadora de Empresas do Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (Centev), desenvolvesse o kit Hidroponia Residencial, destinado ao cultivo de hortaliças e de espécies ornamentais e medicinais.
"A solução fornece os 14 nutrientes presentes no solo para serem absorvidos pela raiz, além do carbono, oxigênio e hidrogênio disponíveis no ar e na água", explicou o coordenador do trabalho, Paulo Roberto Gomes Pereira, à Agência FAPESP. "A intenção é que, com a água misturada aos nutrientes, não seja preciso controlar o pH", disse o professor de Nutrição Mineral de Plantas do Departamento de Fitotecnia da UFV.
O kit é recomendado para o cultivo de espécies de pequeno porte, como alface, agrião, rúcula, almeirão, couve, cebolinha, salsa, coentro, manjericão e hortelã. O conjunto, que ocupa pouco espaço e pode ser colocado em varandas, área de serviços ou em janelas, dispensa a utilização de agrotóxicos. "O sistema é capaz de substituir o solo, fazendo com que seja reduzida a incidência de doenças cujas pragas estariam presentes na terra", conta Pereira.
Para o pesquisador, a instalação e o monitoramento são simples e com preços acessíveis. "O kit custa R$ 39 e vem com um manual explicativo sobre a utilização dos materiais", disse. Pereira acredita que a técnica pode ser utilizada ainda como ferramenta didática em escolas do ensino fundamental.
"A maioria das escolas não tem espaço suficiente para um jardim e as crianças normalmente acabam tendo muito pouco contato com o cultivo de plantas", diz. "A idéia é fazer com que os alunos possam vivenciar todo o método científico de cultivo de várias espécies em um espaço físico menor, sem deixar de exercitar os cuidados necessários com o meio ambiente."
Mais informações: www.plantavicosa.com.br
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