Território de passagem, mostra da artista curitibana Ruchita, investiga as relações entre corpo, tempo e memória com videoartes e séries fotográficas produzidas entre 2017 e 2025
Território de passagem, mostra da artista curitibana Ruchita, investiga as relações entre corpo, tempo e memória com videoartes e séries fotográficas produzidas entre 2017 e 2025
Agência FAPESP – O Museu da Imagem e do Som (MIS) está com uma exposição individual da artista multimídia curitibana Ruchita, intitulada Território de passagem, gratuita e aberta ao público até o dia 24 de agosto. A mostra reúne oito obras produzidas entre 2017 e 2025, compostas por videoartes e séries fotográficas que investigam as relações entre corpo, tempo e memória.
Com curadoria de Brunno Almeida Maia e direção de arte e expografia de Leandro Leão, a mostra articula elementos performáticos, audiovisuais e fotográficos em uma proposta imersiva. A exposição estabelece ainda um diálogo direto com o acervo de videoarte do MIS, com mais de 5 mil títulos produzidos e catalogados desde os anos 1970.
Partindo de experiências pessoais traduzidas em performances para a câmera, Ruchita, graduada em comunicação visual no International Fine Arts College de Miami (EUA), coloca seu próprio corpo como campo de experimentação artística.
Estruturada a partir de dois eixos curatoriais, a exposição reúne obras que abordam temas como vulnerabilidade, transcendência, repetição, impermanência e dissolução. No eixo O Corpo Inacabado, por exemplo, a série “Alternar-se” (2025/2026) mergulha na experiência de convívio diário da artista com o diabetes. Utilizando mel e sangue como metáforas, Ruchita compõe um ensaio visual e sonoro que explora os altos e baixos de seu cotidiano.
No segundo eixo, O Corpo é Tempo, a série “Face à Impermanência” investiga duração e efemeridade em diálogo com a cultura japonesa do Wabi-Sabi (que defende que nada é acabado, permanente ou perfeito). Em “Esse Movimento Perpétuo” (2018), uma videoinstalação registrada na praia de Naoshima, no Japão, e projetada sobre areia real depositada no chão exibe a imagem da artista, que surge e desaparece em sintonia com algas que se decompõem, simbolizando a fusão do indivíduo na natureza e o ciclo eterno de decomposição e reintegração.
Além da exposição, a programação inclui um bate-papo sobre videoarte contemporânea com Ruchita, Maia e a videoartista e pesquisadora Márcia Beatriz Granero, visitas mediadas, oficina de experimentações em videoarte e ações de registro audiovisual. O livro Todo momento de achar é um perder-se a si própria, que abrange a trajetória de Ruchita de 2017 a 2025, também estará à venda na loja do museu.
A exposição está aberta de terça a sexta-feira das 10h às 19h; aos sábados, das 10h às 20h; e domingos e feriados, das 10h às 18h.
O endereço do MIS é av. Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo.
Mais informações: mis-sp.org.br/exposicao/territorio-de-passagem/.
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