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Clones, utopias e ficções

Carlos Vogt, presidente da FAPESP, ministra palestra na Academia Paulista de Letras sobre ensaio publicado na Revista Ide, cujo texto aborda os limites do conhecimento e da capacidade de conhecer do ser humano

Clones, utopias e ficções
Carlos Vogt, presidente da FAPESP, ministra palestra na Academia Paulista de Letras sobre ensaio publicado na Revista Ide, cujo texto aborda os limites do conhecimento e da capacidade de conhecer do ser humano
Por Thiago Romero

Agência FAPESP – "O DNA foi, há 50 anos, a última grande e revolucionária descoberta científica da humanidade, abrindo novos caminhos para o desenvolvimento das ciências da vida e para o nascimento de áreas multidisciplinares de estudo e pesquisa, antes desconhecidas."

A definição é de Carlos Vogt, presidente da FAPESP, e está no ensaio Clones, utopias e ficções, publicado pela Revista Ide, veículo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo que, desde 1975, aborda o diálogo entre psicanálise e cultura.

Com base no artigo, Vogt proferiu uma palestra sobre os aspectos científicos e culturais da biotecnologia na quinta-feira (26/4), na sede da Academia Paulista de Letras, em São Paulo.

"O artigo faz um passeio pela ciência e pela literatura, tratando de duas questões fundamentais: a árvore da vida e a árvore do conhecimento. A idéia foi abordar o processo de desenvolvimento da humanidade com base em quedas simbólicas, como o homem sendo expulso do Paraíso e do centro do Universo", disse Vogt à Agência FAPESP.

Segundo ele, se aumenta o conhecimento da humanidade, aumenta ainda mais o desejo de conhecer. O seqüenciamento do genoma humano, que ofereceu a compreensão e a materialidade dos sinais que constituem o nosso código genético, é um dos destaques do artigo.

"O seqüenciamento não é ainda um alfabeto porque este implica em uma linguagem e em um conjunto de regras de combinação sintática e de associação semântica que um conjunto de sinais, apesar de ordenados, não possui. Da linguagem da vida temos, quando muito, as letras, o que não é pouco. Faltam-nos, no entanto, o vocabulário, as frases e os enunciados de sua significação no mundo", afirmou.

Vogt destaca no artigo algumas questões para reflexão: será a ciência capaz de representar a si mesma em fóruns distintos ao dela própria? Pode o conhecimento conhecer-se a si próprio, ou a mente representar-se a si mesma, ou a consciência ser consciência da própria consciência?

"Não há ciência sem simulação, tampouco conhecimento sem linguagem ou representação. Os símbolos fazem a medição do mundo e do conhecimento do mundo", disse.

A edição mais recente da Revista Ide dedica 176 páginas à temática da biotecnologia. Trata-se de uma coletânea de artigos de especialistas em diversas áreas do conhecimento, entre psicanalistas, filósofos, literatos, antropólogos, artistas plásticos, sociólogos e poetas, nacionais e estrangeiros.

O artigo Clones, utopias e ficções pode ser lido em (arquivo .pdf): www.agencia.fapesp.br/vogt/clones.pdf

Mais informações sobre a Revista Ide: www.sbpsp.org.br


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