A perspectiva é que, no futuro, esses sensores possam ser incorporados diretamente à pele, permitindo o acompanhamento em tempo real de informações relacionadas ao desempenho físico (imagem: Cookie_studio/Magnific)

Biomedicina
Sensor vestível pode monitorar fadiga muscular em atletas
29 de junho de 2026

Projeto conduzido na UFSCar foi premiado em congresso internacional de eletroquímica

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A perspectiva é que, no futuro, esses sensores possam ser incorporados diretamente à pele, permitindo o acompanhamento em tempo real de informações relacionadas ao desempenho físico (imagem: Cookie_studio/Magnific)

 

Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um sensor eletroquímico vestível e de baixo custo capaz de monitorar biomarcadores relacionados ao desempenho esportivo de forma não invasiva. O estudo avaliou se um novo material condutor poderia ser utilizado na fabricação de dispositivos flexíveis para aplicações no monitoramento de lactato no suor humano.

O lactato é um importante indicador fisiológico associado a fadiga muscular, intensidade do exercício e recuperação física. Atualmente, sua medição costuma exigir métodos invasivos, como a coleta de sangue.

O equipamento passou por vários testes de funcionamento até ser empregado na detecção de peróxido de hidrogênio (água oxigenada). Como o lactato presente no suor gera água oxigenada ao entrar em contato com o dispositivo, medir essa substância se tornou a chave para os pesquisadores descobrirem os níveis de fadiga muscular.

O trabalho foi desenvolvido por Rafaela Cristina de Freitas, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Materiais da UFSCar, campus Sorocaba, com bolsa da FAPESP, sob orientação do professor Bruno Campos Janegitz. A pesquisa integra as atividades do Laboratório de Sensores, Nanomedicina e Materiais Nanoestruturados, sediado no campus Araras da universidade.

Segundo Janegitz, a principal inovação do dispositivo é a combinação entre flexibilidade, baixo custo e potencial de aplicação prática. “O estudo demonstrou que é possível produzir sensores vestíveis utilizando materiais acessíveis e técnicas relativamente simples, sem comprometer a qualidade analítica”, destacou Janegitz à Coordenadoria de Comunicação Social da UFScar.

“A perspectiva é que, no futuro, esses sensores possam ser incorporados diretamente à pele, permitindo o acompanhamento em tempo real de informações relacionadas ao desempenho físico. Isso pode beneficiar atletas, treinadores, profissionais da medicina esportiva e até mesmo aplicações voltadas ao monitoramento personalizado da saúde”, acrescentou.

Prêmio

O trabalho conquistou reconhecimento internacional ao receber o Best Poster Prize durante o 20th International Conference on Electroanalysis (Eseac 2026) realizado entre os dias 7 e 11 de junho em Lisboa (Portugal) –, um dos mais importantes congressos mundiais nas áreas de eletroquímica, sensores e dispositivos vestíveis. O prêmio foi concedido pela revista científica Analytical and Bioanalytical Chemistry, da editora Springer, uma das principais publicações internacionais da área.

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