Oportunidade natural

Reunidos em ciclo temático na 55ª reunião da SBPC, especialistas apontam a produção de fitomedicamentos como alternativa para aumento da competitividade da indústria farmacêutica nacional

16 de julho de 2003
Oportunidade natural

Reunidos em ciclo temático na 55ª reunião da SBPC, especialistas apontam a produção de fitomedicamentos como alternativa para aumento da competitividade da indústria farmacêutica nacional

16 de julho de 2003

 

Por Fernando Cunha, do Recife


(Agência FAPESP) - No terceiro dia de atividades na 55ª SBPC, o ciclo temático sobre biodiversidade brasileira tratou de legislação e fortalecimento da indústria farmacêutica nacional.

A ausência de cientistas no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), na opinião de Walter Colli, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), é uma das razões pelas quais a Medida Provisória 2186, de agosto de 2001, inviabiliza a pesquisa de campo da diversidade brasileira.

Para Colli, a legislação reflete a cultura de que toda ciência tem aplicação industrial, gera lucro e, portanto deve ser fiscalizada. A lei preocupa-se apenas com os cientistas quando define como acesso ao patrimônio genético a obtenção de amostras para fins de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção, enquanto pássaros, peixes e madeiras continuam a ser são contrabandeados.

Colli acredita que a necessidade de autorizações do CGEN para acesso e remessa dessas amostras restringe a atividade científica e "dá ao Conselho poder de censura digno da Inquisição", afirma. A criação de um banco de dados no órgão também seria um absurdo, pois essa é uma tarefa que cabe aos próprios pesquisadores.

Embora reconheça os direitos das comunidades locais e dos povos indígenas sobre o patrimônio, a Medida Provisória 2186 não estabelece como avaliar quais são seus representantes ou como impedir terceiros de utilizar o material extraído. E quando exige um cadastro de universidades para fazer coleta de materiais, a lei cria outro obstáculo: "quem conhece o funcionamento das instituições brasileiras sabe que isso paralisa a pesquisa", conclui.

Para João Batista Calixto, do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina, competir no mercado das indústrias farmacêuticas não é coisa para brasileiros. Ele explica isso quando afirma que os investimentos dos laboratórios internacionais, hoje, estão crescendo constantemente ao mesmo tempo em que a viabilidade das drogas que produzem, cujo desenvolvimento está cada vez mais caro, é cada vez menor. "De cada 30 mil compostos sintetizados, apenas um tem mercado", resume.

Países em desenvolvimento, de acordo com o pesquisador, devem produzir fitomedicamentos com eficácia comprovada, uma classe de produtos muito aceita, com grande mercado e larga competência no País. Uma esperança para Calixto é a entrada em funcionamento do Centro de Biotecnologia da Amazônia, o Probem, que poderá fabricar produtos naturais e biotecnológicos.


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