Língua paulista

Simpósio na USP debate pesquisas do Projeto Caipira, que procura desvendar a história da língua portuguesa em São Paulo, primeira região onde foi introduzida em território brasileiro

20 de junho de 2007
Língua paulista

Simpósio na USP debate pesquisas do Projeto Caipira, que procura desvendar a história da língua portuguesa em São Paulo, primeira região onde foi introduzida em território brasileiro

20 de junho de 2007

 

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O 6º Simpósio Internacional do Projeto História do Português Paulista, encerrado na terça-feira (19/6), na Cidade Universitária, em São Paulo, debateu os primeiros resultados das pesquisas de projeto temático com o mesmo nome, que tem apoio da FAPESP.

Segundo Ataliba Teixeira de Castilho, coordenador do Projeto Caipira, como é mais conhecido, o objetivo é estudar a história da evolução da língua portuguesa a partir de São Paulo. "Conhecer a história antiga do português paulista é, no fundo, conhecer a história do português brasileiro", disse à Agência FAPESP.

A língua portuguesa começou a ser introduzida em território brasileiro na capitania de São Paulo, a partir de 1532, com a fundação de São Vicente. Durante os séculos seguintes, os bandeirantes e os tropeiros levaram para o país o português que ia sendo elaborado na região, de acordo com o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

"As várias etapas de transformação do português no estado ainda são mal conhecidas e o Projeto Caipira surgiu para preencher essa lacuna", disse Castilho. O projeto deverá desenvolver pesquisas entre 2007 e 2010. O grupo é, na maior parte, ligado à área de filologia e língua portuguesa da USP.

A história de uma língua, de acordo com Castilho, compreende três programas. O primeiro é a história social, ou seja, a formação das comunidades que falam a língua. O segundo é a mudança gramatical: o estudo de como a língua chegou a um país, como se transformou, que influências recebeu. O terceiro é a formação de um corpus: o levantamento de documentos de interesse do estudo.

"No simpósio, a ênfase esteve na mudança gramatical, com a participação de especialistas conhecidos da área de gramaticalização. Mas o projeto tem uma agenda muito grande. São 11 grupos de trabalho com temas diferentes, com grande ajuda dos demógrafos na parte de história social", disse Castilho.

"Como se formou o português de São Paulo? Sabemos que ele não derivou de um português culto, já que não era esse o perfil dos portugueses que vieram para cá no início. Perguntas como essa movem o trabalho dos grupos", afirmou. De acordo com o professor, os estudos demonstraram que a fundação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1830, foi fundamental para a consolidação da norma culta do português paulista.

O seminário voltado para o Projeto Caipira foi preparado pela equipe paulista do Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPP), lançado na USP em 1998. "Esse, por sua vez, se desenvolveu a partir de dois anteriores, que também tiveram apoio da FAPESP", disse Castilho, referindo-se ao Projeto de Estudo da Norma Lingüística Urbana Culta de São Paulo (Nurc) e ao Projeto Filologia Bandeirante.


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