O pesquisador Adolfo Garcia Erustes (Unifesp), operando o o Xenium Analyzer para transcriptoma espacial, tecnologia que mapeia a expressão gênica diretamente dentro de cortes de tecidos (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Biomedicina
Unifesp inaugura laboratório de diagnóstico molecular para pacientes do SUS
30 de abril de 2026

Com investimento da FAPESP, o Centro Avançado de Diagnóstico Molecular integra pesquisa básica e aplicada ao atendimento público; a partir da identificação de biomarcadores específicos, será possível detectar precocemente câncer e outras doenças

Biomedicina
Unifesp inaugura laboratório de diagnóstico molecular para pacientes do SUS

Com investimento da FAPESP, o Centro Avançado de Diagnóstico Molecular integra pesquisa básica e aplicada ao atendimento público; a partir da identificação de biomarcadores específicos, será possível detectar precocemente câncer e outras doenças

30 de abril de 2026

O pesquisador Adolfo Garcia Erustes (Unifesp), operando o o Xenium Analyzer para transcriptoma espacial, tecnologia que mapeia a expressão gênica diretamente dentro de cortes de tecidos (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

 

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Foi lançado na segunda-feira (27/04) o Laboratório de Multiômica Espacial do Centro Avançado de Diagnóstico Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com investimento de R$ 10 milhões, majoritariamente da FAPESP, a instalação no Hemocentro do Hospital São Paulo (o hospital universitário da Unifesp) foi criada para aplicar tecnologias genômicas e moleculares no atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A implementação da plataforma, o primeiro centro avançado de pesquisa e diagnóstico molecular público do Brasil, também contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além de bolsas de pesquisa oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Há ainda uma parceria com o Ministério da Saúde para que o serviço seja oferecido inicialmente aos pacientes do Hospital São Paulo. O projeto prevê expansão gradual do serviço para unidades de saúde municipais e estaduais.

“O objetivo é ampliar a detecção precoce de câncer e de outras doenças neurodegenerativas e imunológicas por meio da identificação de biomarcadores específicos. Com diagnósticos mais precisos, o centro pretende apoiar tratamentos personalizados e reduzir custos no sistema público de saúde”, explicou Soraya Smaili, coordenadora do novo centro.

Smaili conta que o projeto priorizou a detecção de mutações para as quais o SUS já oferece tratamento, como casos de câncer de colo intestinal, mama, tireoide, endométrio e pulmão. A proposta é que, com o avanço dos trabalhos, outros tipos de câncer e doenças neurodegenerativas e imunológicas passem a fazer parte do rol de serviço.

“O diagnóstico molecular permite mais precisão e, portanto, uma eficácia maior na hora do tratamento. É mais rápido, mais seguro, tem menos efeitos colaterais e pode ficar mais barato, porque se você dá uma droga certeira, evita gastos indevidos”, detalhou.

O laboratório utiliza equipamentos de última geração – adquiridos pela FAPESP – como o PCR Digital (dPCR) para detecção ultrassensível de material tumoral e o Xenium Analyzer para transcriptoma espacial (tecnologia que mapeia a expressão gênica diretamente dentro de cortes de tecidos, preservando a localização geográfica das células), capaz de analisar até 5 mil alvos simultâneos em um único tecido. A plataforma multiômica também permite a análise de tecidos muito pequenos para a compreensão de alterações no DNA das células, ou ainda a realização da chamada biopsia líquida, que analisa mutações a partir da coleta de sangue do paciente.

Impacto

O presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, destacou o impacto da iniciativa. “Estamos celebrando a criação de uma estrutura de alta tecnologia para o que chamamos de ciência de resultados. Serão realizadas pesquisas básicas e aplicadas com impacto direto na qualidade de serviços públicos para a sociedade”, afirmou.

O presidente da Fundação definiu o projeto como uma associação entre “visão de futuro e realismo orçamentário”, modelo que considera necessário para todo o Brasil. “Uma característica importante do novo centro é fazer a articulação entre recursos estaduais e federais, complementada, em certos casos, por parcerias privadas. Essa integração visa alavancar investimentos e fortalecer o sistema de ciência, tecnologia e inovação de São Paulo”, disse.

Zago ressaltou que o centro recebeu recursos por meio do edital de infraestrutura de 2022 da FAPESP, especificamente para a aquisição de grandes equipamentos multiusuários. “O cerne do trabalho do centro está na medicina de precisão, que consiste em adaptar os tratamentos médicos ao perfil genético-molecular e ao estilo de vida de cada paciente individualmente”, resumiu.


Olival Freire (CNPq), Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, Soraya Smaili, coordenadora do novo centro, Antonio Luis Elias (Finep), Raiane Assumpção, reitora da Unifesp, Luiz Antonio Pessan (Capes), Vahan Agopyan, secretário de C&T de SP, Luiz Carlos Zamarco, secretário municipal da Saúde e Meiruze Sousa Freitas (Ministério da Saúde) (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Para o presidente do CNPq, Olival Freire, o laboratório representa “uma espécie de sonho da ciência brasileira na busca da defesa da saúde do povo, da autonomia e da soberania do país”.

Já Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, afirmou que o laboratório coloca o Brasil na fronteira do conhecimento, com o diferencial de aproximar essa tecnologia da qualidade de vida das pessoas. “O laboratório antecipa diagnósticos, amplia as possibilidades de tratamentos e qualifica decisões clínicas. Ao integrar pesquisa e diagnóstico molecular de forma estruturada, ele gera impacto direto no cuidado da saúde, e, mais do que isso, na capacidade científica deste Estado”, disse.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, celebrou a capacidade de conciliar recursos estaduais e federais, unindo esforços da Finep, FAPESP, CNPq e Capes para oferecer o que há de melhor na medicina para a população que utiliza o SUS.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também celebrou a iniciativa por meio de uma mensagem de vídeo. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, enviou uma mensagem felicitando o lançamento do novo laboratório.

Também participaram da cerimônia Luiz Antonio Pessan, diretor de Programas e Bolsas no País da Capes, Meiruze Sousa Freitas, diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Luiz Carlos Zamarco, secretário municipal da Saúde de São Paulo, Raiane Assumpção, reitora da Unifesp e, por vídeo, Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
 

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