Joly, do Biota/FAPESP

Governo prepara nova legislação para acesso a recursos genéticos

Bastante criticada durante a 55ª SBPC, a atual MP será substituída por projeto com participação da sociedade, anuncia Eduardo Vélez, diretor do Departamento de Gestão do Patrimônio Genético

17 de julho de 2003
Governo prepara nova legislação para acesso a recursos genéticos

Bastante criticada durante a 55ª SBPC, a atual MP será substituída por projeto com participação da sociedade, anuncia Eduardo Vélez, diretor do Departamento de Gestão do Patrimônio Genético

17 de julho de 2003

Joly, do Biota/FAPESP

 

Por André Muggiati, do Recife

Agência FAPESP - Bastante criticada durante a 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a atual legislação que regula o acesso aos recursos genéticos está sendo revista pelo Governo Federal, que está realizando consultas a diversas entidades da sociedade civil a respeito.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (17/7), por Eduardo Vélez, diretor do Departamento de Gestão do Patrimônio Genético, órgão que executa as deliberações do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, o CGEN, no simpósio Gerenciamento dos Recursos Naturais Brasileiros, em Recife.

Atualmente vigora, por tempo indeterminado, a medida provisória 2186-16, de 2001, considerada por cientistas como um grande entrave à realização de pesquisas sobre a biodiversidade.

Vélez afirmou que o principal problema da atual legislação é criar "muitas normas, pedidos de autorização e entraves para toda e qualquer coleta de material biológico, mesmo aqueles que não têm qualquer possibilidade de utilização econômica".

De acordo com ele, a idéia de uma nova lei para o tema está sendo discutida com a sociedade civil. Carlos Alfredo Joly, coordenador do programa Biota/FAPESP é o representante da SBPC no conselho. Outras sociedades científicas também serão consultadas pelo governo.

Vélez afirmou que o governo também decidiu não trabalhar pela aprovação do Projeto Lei 4.842, de 1998, proposto pela então senadora Marina Silva, atual ministra do Meio Ambiente, por considera-lo já ultrapassado.

No mesmo evento, Joly apresentou o programa Biota/FAPESP e a nova Rede Biota de Bioprospecção, criada em junho. O Programa Biota está colocando na rede os bancos de dados e as ferramentas já desenvolvidos pelo programa. Na etapa atual, está sendo realizado um levantamento dos grupos de pesquisa do Estado de São Paulo interessados em participar da rede.

O Programa Biota trabalha desde 1999 com a padronização e organização dos dados sobre amostras de espécimes colhidas em todo o Estado.


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