A foto mostra a contração do músculo artificial que usou metanol como combustível para erguer um peso de 50 gramas (foto: divulgação)

Fôlego artificial

Pesquisadores norte-americanos desenvolvem dois tipos de músculos artificiais que conseguem converter, como nos seres vivos, energia química de uma fonte combustível em energia mecânica

17 de março de 2006
Fôlego artificial

Pesquisadores norte-americanos desenvolvem dois tipos de músculos artificiais que conseguem converter, como nos seres vivos, energia química de uma fonte combustível em energia mecânica

17 de março de 2006

A foto mostra a contração do músculo artificial que usou metanol como combustível para erguer um peso de 50 gramas (foto: divulgação)

 

Agência FAPESP - Baterias pesadas e muitas vezes com pouca autonomia. No campo das ciências dos materiais, ultrapassar esse desafio é considerado vital para que robôs, veículos submarinos e "próteses inteligentes" possam funcionar com mais eficiência.

Músculos artificiais movidos a metanol ou a hidrogênio podem ser uma solução para o problema. Dois novos modelos alternativos, desenvolvidos na Universidade do Texas em Dallas, nos Estados Unidos, foram apresentados na edição da revista Science desta sexta-feira (17/3).

A equipe do Instituto de Nanotecnologia da universidade desenvolveu tipos diferentes de músculos artificiais. Nos dois, a energia química presente na fonte combustível, etanol ou hidrogênio, é transformada em energia mecânica, como ocorre nos músculos dos seres vivos. As estruturas funcionam ao mesmo tempo como músculos e como células combustíveis, explica Ray Baughman, principal autor do artigo.

Num dos tipos, um eletrodo formado por nanotubos de carbono é o responsável pela transformação da energia química em elétrica. O produto resultante é estocado em uma espécie de supercapacitor, para depois, também ainda dentro do músculo artificial, ser transformado em energia mecânica.

No segundo modelo, a reação catalítica é feita entre o combustível e o oxigênio presente no ar. O calor originado desse processo, dentro da pequena célula combustível muscular, é que vai gerar a contração do sistema. O resfriamento, por sua vez, é responsável pela posterior expansão do músculo. É como se a estrutura muscular artificial respirasse, da mesma forma que ocorre com os seres humanos.

Segundo os cientistas, os novos sistemas artificiais – que têm inúmeras aplicações no mundo da robótica – podem produzir uma força cem vezes maior que os músculos humanos. Além disso, a capacidade de trabalho, em freqüência e intensidade, também seria uma centena de vezes maior.

O artigo Fuel-powered artificial muscles pode ser lido por assinantes no site da revista Science, em www.sciencemag.org.


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