Prêmio Ester Sabino para mulheres cientistas é lançado em São Paulo | AGÊNCIA FAPESP

Prêmio Ester Sabino para mulheres cientistas é lançado em São Paulo Premiação, que será anual, tem o objetivo de incentivar e reconhecer a contribuição das mulheres cientistas para o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do Estado de São Paulo (imagem: divulgação)

Prêmio Ester Sabino para mulheres cientistas é lançado em São Paulo

17 de março de 2021

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Apenas 48 horas após o primeiro caso de COVID-19 do país ser confirmado em um hospital de São Paulo, a sequência completa do genoma do SARS-CoV-2 foi publicado pelas cientistas Ester Sabino e Jaqueline Goes, com a colaboração de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz e das universidades de São Paulo (USP) e de Oxford (Reino Unido).

Publicado no dia 28 de fevereiro de 2020, o trabalho de sequenciamento foi realizado em tempo recorde, graças a uma tecnologia rápida e portátil que tem sido fundamental para o monitoramento da pandemia e a identificação das novas variantes do vírus (leia mais em: agencia.fapesp.br/32637).

Um ano após o feito, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo e a Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) lançam o “Prêmio Ester Sabino para mulheres cientistas”, com o objetivo de incentivar a participação de mulheres na ciência e reconhecer sua contribuição ao desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do Estado de São Paulo.

“É uma honra ter meu nome associado ao prêmio. Todos precisamos de mais mulheres na ciência e em postos de liderança. Isso é fácil de falar, mas não tem sido fácil de pôr em prática. Há uma necessidade grande de abrir espaços, mas também de incentivar nas próprias mulheres a participação em congressos, seminários e de estar presente na coordenação de estudos, centros de pesquisas e agências”, disse Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP, que contou que, antes mesmo de o SARS-CoV-2 chegar ao país, no ano passado, ela já estava se preparando para sequenciar o genoma do vírus, liderando um time de pesquisadores da USP e do Instituto Adolfo Lutz.

O Prêmio Ester Sabino foi dividido em duas categorias: uma para cientistas “sênior”, com carreira consolidada e grandes contribuições para a ciência do Estado, e outra para jovens pesquisadoras de destaque, que desenvolvem seu trabalho em São Paulo.

Neste ano inaugural, foram laureadas a própria Ester Sabino (categoria sênior) e Jaqueline Goes (jovens pesquisadoras). A premiação será realizada todos os anos no dia 11 de fevereiro, quando se comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

“Gostaria de agradecer pelo prêmio e principalmente à Ester, com quem tenho aprendido muito. É uma técnica de sequenciamento que venho fazendo há algum tempo, mas aprender com ela e entender o modo de fazer ciência, a maneira como incentiva a equipe é um privilégio. Tenho certeza que o reconhecimento do trabalho jamais teria ocorrido se não fosse ela”, agradeceu Goes. Ela é doutora em patologia humana e experimental pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, em associação com a Fiocruz, realizou em 2018, em Birmingham (Reino Unido), um estágio no qual aprimorou protocolos de sequenciamento de genomas completos pela tecnologia de nanoporos do vírus zika, além de protocolos para sequenciamento direto do RNA viral (leia mais em agencia.fapesp.br/25356).

Incentivo e financiamento perene

O sequenciamento do SARS-CoV-2 em tempo recorde pelas pesquisadoras mostra não só a importância de incentivar a maior participação das mulheres na ciência e em cargos de liderança como também de um financiamento constante em pesquisa e na formação de cientistas.

“Tenho certeza de que temos muitas mulheres competentes para ocupar cargos de liderança em nosso Estado e não só na área científica. Eu costumo dizer que a diversidade no Brasil é um fato, mas a diversidade na liderança é uma decisão. Ainda não tomamos essa decisão como sociedade, embora isso seja muito necessário. Dessa forma, um prêmio como esse reforça o compromisso de estimular a participação das mulheres nas diferentes áreas da ciência e em áreas de liderança”, disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen.

“Gostaria que estivéssemos em um dia mais feliz para essa homenagem, mas infelizmente estamos batendo todos os recordes da pandemia no país e estamos no início da maior restrição em nosso Estado. Por isso, é importante ressaltar que na ciência temos mulheres que estão salvando vidas. E reafirmamos a importância de garantir o orçamento de ciência no Estado e a nossa convicção de investir na ciência, em vacinas, como única forma de sair dessa pandemia”, disse Patricia Ellen.

Vanderlan Bolzani, presidente da Aciesp, ressaltou a necessidade histórica de um prêmio para mulheres cientistas. “Presenciamos nas últimas décadas um movimento firme e abrangente de maior participação das mulheres na ciência, que significa um grandioso aumento da capacidade humana de fazer ciência e a correção histórica dos rumos que sempre separou mulheres e homens no acesso ao conhecimento e aos postos de liderança.”

“A criação desse prêmio é muito importante, pois mais do que ter senso e sensibilidade junta esforços administrativos e políticos para incentivar as políticas de gênero, essenciais para avançar em busca de uma maior inclusão em um país tão desigual econômico e socialmente”, afirmou Bolzani.

Marco Antônio Zago, presidente da FAPESP, também ressaltou a importância do investimento contínuo em ciência e do maior incentivo à participação das mulheres na ciência. “Não podemos esquecer que a genômica no Brasil nasceu com a FAPESP. Há 25 anos, com o primeiro sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa. A partir de então, foram apoiados numerosos estudos que capacitaram o Estado a dar uma resposta imediata quando o novo coronavírus chegou. Isso mostra, mais uma vez, que investir na ciência básica e na capacitação de pessoal sempre compensa”, disse Zago.

Para o presidente da FAPESP, o Prêmio Ester Sabino é não só um reconhecimento, mas também uma mensagem às novas gerações. “Mensagem de que podem ser bem-sucedidos na ciência e na tecnologia. A maior participação das mulheres é muito bem-vinda e necessária. A ciência trata de problemas complexos e sabemos que a diversidade traz soluções melhores a problemas complexos”, afirmou Zago.

Também participaram da cerimônia on-line de lançamento do prêmio e homenagem às premiadas o reitor da USP, Vahan Agopyan, e Sandro Valentini, subsecretário de ensino superior da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e ex-reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
 

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