A evolução do parasita | AGÊNCIA FAPESP

Cientistas brasileiros identificam quatro novos segmentos de DNA transponíveis do Schistosoma mansoni (foto: CDC)

A evolução do parasita

02 de março de 2004

Por Heitor Shimizu

Agência FAPESP - Os cientistas da Rede Onsa (Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos), que reúne laboratórios genômicos do Estado de São Paulo, completaram mais uma façanha. Depois de terem identificado 92% dos estimados 14 mil genes do Schistosoma mansoni, o parasita causador da esquistossomosse, eles acabam de identificar quatro novos retrotransposons do mesmo verme.

Retrotransposons, ou elementos transponíveis, são segmentos de DNA com a capacidade de se replicar e de inserir a cópia dentro do mesmo cromossomo. Relacionados à geração de diversidade fenotípica, os retrotransposons contribuem significativamente para a evolução genética do organismo.

A descoberta dos cientistas brasileiros dobra o número de retrotransposons do S.mansoni conhecidos. Segundo um dos responsáveis pelo trabalho, Sergio Verjovski-Almeida, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), esses elementos identificados agora, batizados de Saci 1, Saci 2, Saci 3 e Pererê, são cerca de 200 vezes mais ativos do que os quatro descobertos anteriormente por pesquisadores ingleses e australianos.

"Essa descoberta deve ajudar não apenas na compreensão da evolução do S.mansoni como na montagem do genoma completo do parasita", disse Verjovski-Almeida à Agência FAPESP.

O cientista da USP é o coordenador do projeto do sequënciamento do genoma do Schistosoma mansoni, iniciado em abril de 2001 e que conta com financiamento da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O trabalho que resultou na descoberta dos quatro retrotransposons foi publicado na edição de março do Journal of Virology, da Sociedade Americana de Microbiologia, em artigo assinado por Verjovski-Almeida e outros 13 colegas.

Doença tropical, a esquistossomose afeta mais de 10 milhões de pessoas no Brasil, sobretudo no Nordeste e Centro-Oeste, onde é endêmica, e cerca 200 milhões de habitantes de zonas pobres do planeta.

Mais informações: http://bioinfo.iq.usp.br/schisto


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