Vanderlan Bolzani recebe prêmio internacional | AGÊNCIA FAPESP

Professora da Unesp é única cientista da América Latina homenageada como 2011 Distinguished Women in Chemistry or Chemical Engineering no Congresso Mundial da Iupac (arq.pessoal)

Vanderlan Bolzani recebe prêmio internacional

01 de agosto de 2011

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da coordenação do programa BIOTA-FAPESP, será homenageada na próxima terça-feira (02/08), durante o 43º Congresso Mundial de Química da União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês), como 2011 Distinguished Women in Chemistry or Chemical Engineering.

Concedido pela Sociedade Química Norte-Americana (ACS, na sigla em inglês), o prêmio visa a reconhecer e promover o trabalho de químicas e engenheiras químicas em todo mundo.

Bolzani é a única brasileira e representante da América Latina entre as 23 cientistas de diversos países que receberão a distinção. Entre elas também está a ganhadora do prêmio Nobel de Química em 2009, Ada Yonath.

“Fico muito feliz com o prêmio. Gosto muito do que faço e é muito bom ver que meu trabalho está sendo reconhecido. Mas o interessante é que eu não sou química. Fiz minha graduação em farmácia, mas dediquei minha vida inteira à química. Por isso, me sinto química”, disse Bolzani à Agência FAPESP.

A cientista também foi escolhida juntamente com mais cinco outras premiadas para ser uma das conferencistas de um simpósio sobre a representatividade da mulher na ciência, que ocorrerá no mesmo dia da cerimônia de premiação.

O evento, que integra a programação oficial do congresso da Iupac, será realizado em um momento bastante oportuno porque este ano se comemora o centenário do prêmio Nobel de Química de Marie Curie.

A cientista polonesa foi a primeira mulher a receber a maior premiação científica e a única laureada com o prêmio em duas áreas científicas – em 1903 ela também ganhou o prêmio Nobel de Física com seu marido, Pierre Curie, e o francês Antoine Henri Becquerel por suas descobertas no campo da radioatividade.

“Mesmo com todos os avanços e sabendo que na universidade trabalhamos em condições iguais às dos homens, vemos que o mundo ainda é muito machista. E é inegável que a mulher hoje representa uma força de trabalho real, que contribui para o desenvolvimento socioeconômico mundial”, disse Bolzani.

Natural de Santa Rita (PB), a pesquisadora é graduada em farmácia pela Universidade Federal da Paraíba. É mestre em química orgânica e doutora em ciências, ambos os títulos obtidos pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).

Está no quadro docente da Unesp desde 1980. Possui pós-doutorado pelo Departamento de Química no Instituto Politécnico e Universidade Estadual de Virgínia, Estados Unidos, com Bolsa da FAPESP.

Obteve título de livre-docente pelo Instituto de Química da Unesp em 1996, foi presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) no período de 2009-2010 e foi designada no início de 2011 para compor o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em 2010, Bolzani também recebeu outro título até então inédito para um pesquisador da América Latina: o de fellow da The Royal Society of Chemistry, uma das mais conceituadas e tradicionais sociedades científicas do mundo.

Mas diz ter ficado mais feliz com o prêmio 2011 Distinguished Women in Chemistry or Chemical Engineering porque, segundo ela, a distinção representa o reconhecimento da importância das mulheres para o avanço da ciência. “Esse prêmio é um duplo reconhecimento tanto do meu trabalho como pelo fato de eu ser mulher”, afirmou.

Talento científico

Além de Bolzani, outro pesquisador brasileiro que receberá uma distinção do evento é Luís Octavio Regasini. Atualmente realizando pós-doutorado com Bolsa da FAPESP no Instituto de Química da Unesp de Araraquara, Regasini foi selecionado no Iupac Young Scientists, concedido pelos organizadores do evento a jovens talentos científicos de países em desenvolvimento.

Como prêmio, o pesquisador teve todas suas despesas de viagens pagas para participar do congresso. “Ele é um jovem cientista muito talentoso. Espero que assim que ele terminar o pós-doutorado obtenha muito sucesso”, disse Bolzani.

A pesquisadora foi orientadora de Regasini em seu doutorado, também feito com Bolsa da FAPESP.
 

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