Transformações de Anita Malfatti | AGÊNCIA FAPESP

Com reproduções das obras da artista, que ilustram o Relatório de Atividades FAPESP 2010, exposição é inaugurada na sede da Fundação e ficará aberta ao público até 16 de dezembro

Transformações de Anita Malfatti

16 de setembro de 2011

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Uma exposição com 26 reproduções de quadros de Anita Malfatti (1889-1964) que ilustram o Relatório de Atividades FAPESP 2010 foi inaugurada no dia 14 de setembro, na sede da Fundação.

A mostra ficará aberta ao público até o dia 16 de dezembro. Escolas interessadas em apresentar a obra da artista a seus alunos podem agendar visitas de segunda a sexta-feira pelo telefone (11) 3838-4362.

O evento teve a participação de Sylvia Malfatti de Sousa – sobrinha-neta da artista e presidente do Instituto Anita Malfatti –, do presidente da FAPESP, Celso Lafer, e da curadora Luzia Portinari Greggio, autora do roteiro do documentário Anita Malfatti (2001) e do livro Anita Malfatti - Tomei a Liberdade de Pintar a Meu Modo (2007).

Pelo sexto ano consecutivo, o Relatório de Atividades homenageia artistas plásticos que nasceram ou se radicaram em São Paulo. A edição de 2005 apresentou obras de Francisco Rebolo (1902-1980), seguida por Aldo Bonadei (1906-1974) no ano seguinte, Lasar Segall (1891-1957) no relatório de 2007, Tarsila do Amaral (1886-1973) em 2008 e Cândido Portinari (1903-1962) em 2009.

“A FAPESP tem homenageado em seus relatórios anuais grandes pintores ligados a São Paulo. Neste ano, o documento destaca, com muita justiça, a obra de grande relevo e qualidade produzida por Anita Malfatti, artista pioneira da Arte Moderna em São Paulo e no Brasil que transformou a ousadia e a inovação em um estilo para sua vida”, disse Lafer durante a cerimônia.

A seleção das obras, segundo Greggio, procurou mostrar os principais momentos da carreira da artista, registrando sua trajetória de transformações estéticas.

Segundo ela, além do valor pictórico indiscutível da obra de Malfatti, a artista se destacou também por protagonizar dois dos principais momentos de ruptura na história da arte brasileira: a exposição de 1917 e a Semana de Arte Moderna de 1922.

“A intenção é mostrar as várias fases do itinerário artístico da artista. Algumas fases marcantes receberam atenção especial – como as das exposições de 1917 e de 1922. Mas estão também representadas as fases de Paris, a fase ‘caipira’, quando ela retrata cenas e costumes brasileiros, até a fase final religiosa, incluindo também alguns retratos”, disse à Agência FAPESP.

A obra de Malfatti mudou muito em seus 50 anos de atividades artísticas, de acordo com Greggio. “Essa transformação acompanhou, possivelmente, o movimento artístico brasileiro e internacional. Em 1917, Anita era claramente expressionista. Depois foi influenciada pelo movimento conhecido como ‘retorno à ordem’, que contestava as grandes rupturas do início do século”, explicou.

As obras reproduzidas na exposição estão expostas no Brasil, aproximadamente metade em museus e metade em coleções particulares. “É importante incluir em exposições as obras que estão em coleções particulares, porque assim criamos oportunidade para que o público tenha contato com elas”, disse.

Segundo Greggio, Malfatti teve uma carreira controvertida, sofrendo muitas críticas, incluindo o artigo de Monteiro Lobato publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 1917, no qual elogiava o talento da artista, mas atacava sarcasticamente sua vinculação com os movimentos modernistas de vanguarda.

“Por muito tempo atribuiu-se as rupturas no trabalho de Anita às críticas de Lobato. Acredito que essa visão é equivocada. Ela não era tão suscetível a ponto de mudar seu rumo por conta de uma crítica. Tanto que ela permaneceu amiga de Lobato”, afirmou.

Filha de imigrantes alemães, norte-americanos e italianos, Malfatti estudou na Alemanha, entre 1910 e 1914, e nos Estados Unidos, em 1915 e 1916. No exterior, teve contato com a efervescência dos movimentos mais contundentes da arte moderna, segundo Greggio. Mais tarde, morou por cinco anos em Paris.

“Quando ela voltou, precisava ganhar a vida e passou a trabalhar como professora de pintura e desenho – que era o destino traçado para ela por sua família. Mas se manteve como pintora nas horas vagas. Foi uma fase dura. Sua produção posterior foi cheia de tropeços e hesitações, mas conservou sua técnica indiscutível”, disse.

 

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