Textos legíveis | AGÊNCIA FAPESP

Empresa incubada no Cietec desenvolve lupas para leitura voltadas a pessoas com baixa visão. Produtos ampliam textos diversas vezes e permitem visualização de palavras inteiras (foto: divulgação)

Textos legíveis

08 de julho de 2008

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma lupa especial para leitura que amplia textos em cinco vezes e diminui as distorções, permitindo a visualização de palavras por pessoas com baixa visão.

A lente, cujo desenvolvimento foi descrito em artigo publicado na revista Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, começou a ser comercializada pela empresa Bonavision, empresa do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da USP.

Com poder de refração de 22 dioptrias e diâmetro de 50 milímetros, a lupa atende principalmente às pessoas que têm baixa visão ou visão subnormal – um comprometimento da função visual que impossibilita uma visão útil para os afazeres habituais, mesmo após tratamento ou correção dos erros refrativos comuns com o uso de óculos, lentes de contato ou implante de lentes intra-oculares.

O projeto, interdisciplinar, foi desenvolvido pelo grupo Design para a Saúde, apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do qual participam pesquisadores da área de design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e da área de oftalmologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP.

De acordo com o oftalmologista José Américo Bonatti, diretor da empresa e autor principal do artigo, por ser asférica – isto é, possuir uma superfície cuja curvatura tem um formato não-esférico –, a lente diminui as distorções da periferia, ampliando o diâmetro útil para leitura. As lupas comuns, encontradas no mercado, proporcionam um aumento de duas vezes e são esféricas.

"Se a lupa esférica for de grande aumento, seu diâmetro terá que ser pequeno para que as distorções de imagem da periferia causadas pelas aberrações esféricas se minimizem. Desse modo, as lupas esféricas de grande aumento permitem que se vejam sílabas e não palavras inteiras, dificultando a leitura", disse Bonatti à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, existem centros universitários que desenvolvem lentes asféricas para pesquisa. Mas a lupa desenvolvida pelo grupo tem alguns diferenciais. "Nosso produto é uma lupa ergonômica de mão que utiliza lente asférica de grande aumento. Ela traz também uma inovação: o anel com depressão externa facilita a apreensão pelos dedos."

A lupa é composta por um cilindro de alumínio cortado, torneado e com rosqueamento interno para acomodar a lente. O anel apresenta uma depressão externa para não escorregar dos dedos do portador. E uma barra de aço cilíndrica mantém a lente em posição estável.

"Para o desenvolvimento, além da óptica, foi importante a escolha dos materiais para tornar o produto adequado ao projeto inicial, de forma a satisfazer os requisitos ergonômicos pretendidos", disse Bonatti.

A lupa é mais cara do que as tradicionais, mas, segundo o oftalmologista, custa menos que as lupas asféricas similares importadas. "A limitação é que o paciente precisa procurar pelo foco para obter a melhor imagem e não atende a casos de deficiências mais graves", explicou.

Depois da produção do artigo, a Bonavision desenvolveu outra lupa asférica de apoio, ou seja, que tem a vantagem de apresentar imagem pré-focada. "Essa outra tem 6 centímetros de diâmetro e 28 dioptrias, proporcionando um aumento de sete vezes, o que atende a uma maior faixa de pessoas com deficiência visual. O usuário pode deslizar a lupa sobre o texto sem precisar procurar o foco a todo o momento, melhorando a qualidade e o conforto da leitura", explicou.

Para ler o artigo Desenvolvimento de uma lupa asférica de 22 dioptrias de 50 mm de diâmetro, de José Américo Bonatti e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

 

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