Startups apoiadas pelo PIPE-FAPESP concluem treinamento em empreendedorismo | AGÊNCIA FAPESP

Startups apoiadas pelo PIPE-FAPESP concluem treinamento em empreendedorismo Vinte e uma novas empresas tiveram a oportunidade de testar a consistência de planos de negócios, entrar em contato com o mercado e ajustar propostas a potenciais clientes (foto: Felipe Maeda / Agência FAPESP)

Startups apoiadas pelo PIPE-FAPESP concluem treinamento em empreendedorismo

27 de junho de 2019

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – A fim de reduzir o uso excessivo de agrotóxicos contra o bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis), a engenheira agrônoma Regina Hakvoort foi além do estudo da biologia da praga.

Hakvoort se ateve também a questões como a distância ideal para o químico ser dispersado por drones e o impacto do fenômeno climático, conhecido como inversão térmica, em todo o procedimento.

Ao participar do 11º Treinamento PIPE em Empreendedorismo de Alta Tecnologia, promovido pelo programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas, da FAPESP, e entrevistar cooperativas, agricultores e empresários que teriam interesse na tecnologia correta de aplicação de herbicida, Hakvoort descobriu que tinha um mercado mais amplo que o setor algodoeiro.

Ela resolveu desenvolver um sistema de informação meteorológica para o produtor rural capaz não só de aumentar a produtividade, como também reduzir o uso de herbicidas.

“Com o trabalho realizado em fazendas de algodão conseguimos reduzir, em uma única safra, 50% do uso do princípio ativo. A realidade anterior, sem o controle certo, era aplicar 30 vezes o herbicida, produzindo apenas 200 arrobas por hectare. Com a aplicação correta, foi possível diminuir a ação da praga e a produção foi para 330 arrobas por hectare”, disse Hakvoort, fundadora da startup Anáhata Serviços Agronômicos, de Avaré (SP).

Quando o trabalho foi feito pela segunda safra consecutiva, os resultados se mostraram ainda melhores. Em outra fazenda, na Bahia, as aplicações caíram de 27 para nove na segunda safra, com completa supressão da praga.

Apesar dos resultados positivos, Hakvoort sabia que poderia obter mais. Não só ganhos econômicos, mas também aumento de produtividade e redução de custos, controle de 100% da praga e, sobretudo, redução de danos ambientais.

Depois de sete semanas de treinamento, percorrendo mais de 5 mil quilômetros para fazer 116 entrevistas, Hakvoort identificou que poderia ir além do setor algodoeiro.

“Descobri que a questão da condição climática, que para mim estava relacionada à disciplina e confiança de que poderia entregar mais e ter controle de 100% da praga, era uma necessidade enorme em outros tipos de lavoura. Agora minha empresa tem duas frentes: o controle do bicudo feito com drone e cobrado por safra e a venda de informação meteorológica a distância”, disse.

Empresas vencedoras

Com projetos aprovados na fase 1 do PIPE, os participantes do Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia têm oportunidade de reavaliar seus planos de negócios, alinhando-os às expectativas do mercado e aumentando a chances de sucesso de seus projetos.

O método exige dos participantes interação, por meio de entrevistas, com o mercado e com potenciais clientes, usuários, fornecedores, parceiros, concorrentes e até sabotadores, pessoas que podem impactar negativamente na adoção da inovação que está sendo desenvolvida.

O objetivo é que, a partir das entrevistas, as empresas participantes do treinamento possam entrar em contato com o mercado real e ajustar sua proposta aos potenciais clientes.

“O treinamento tem mostrado um sucesso muito grande, pois é uma ferramenta importante para que pesquisadores possam transformar suas ideias e conhecimento em empresas vencedoras”, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

“O PIPE é também um forte instrumento de interiorização desta atividade tecnológica. Um em cada cinco municípios paulistas tem pelo menos um projeto apoiado pelo programa”, disse Zago.

Ao todo, 231 startups apoiadas pelo Programa PIPE já participaram do programa de treinamento. Nesta última edição, encerrada no dia 25 de junho, foram 21 startups participantes.

O treinamento aplica o conceito de Lean Startup, obrigando o participante a criar hipóteses e rapidamente validá-las no mercado. De acordo com os coordenadores do programa, isso cria um processo de aprendizado contínuo e flexível para encontrar o caminho do sucesso de uma inovação. Além disso, os participantes também aprendem a usar ferramentas já consagradas por empreendedores ao redor do mundo, como Customer Development, Canvas da Proposta de Valor e Canvas do Modelo de Negócio.

Mais informações: www.fapesp.br/pipe/empreendedor.

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