SPRINT estimula colaborações internacionais em pesquisa | AGÊNCIA FAPESP

SPRINT estimula colaborações internacionais em pesquisa Plataforma Pauliceia 2.0 está sendo desenvolvida por pesquisadores da Unifesp, do Arquivo Público do Estado de São Paulo, do Inpe e da Emory University, dos Estados Unidos

SPRINT estimula colaborações internacionais em pesquisa

03 de abril de 2017

Elton Alisson | Agência FAPESP – Os pesquisadores interessados na história de São Paulo de 1870 a 1940 poderão contar, nos próximos anos, com uma plataforma na internet por meio da qual poderão acessar dados garimpados em pesquisas realizadas sobre esse período marcado pela modernização urbana e industrial da cidade.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de Guarulhos e de São José dos Campos, em colaboração com colegas do Arquivo Público do Estado de São Paulo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Emory University, dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma plataforma computacional com o objetivo de realizar um mapeamento colaborativo da história da cidade de São Paulo entre o final do século XIX e início do século XX.

A ideia de desenvolver a plataforma surgiu durante um projeto apoiado pela FAPESP no âmbito do programa São Paulo Researchers in International Collaboration (SPRINT).

Lançado em 2014, com o objetivo de promover o avanço da pesquisa científica por meio de colaborações entre pesquisadores vinculados a universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo e cientistas parceiros no exterior em projetos conjuntos de médio e longo prazo, o SPRINT oferece financiamento para a fase inicial de colaborações internacionais em pesquisa – chamado de seed funding (financiamento semente).

O projeto de desenvolvimento de um atlas digital para mapear história espacial urbana da cidade de São Paulo foi selecionado na quarta chamada de 2015 do SPRINT e é bastante ilustrativo dos resultados que o programa pretende atingir.

A expectativa é que pesquisadores do Estado de São Paulo e do exterior, após o apoio obtido no âmbito do SPRINT, apresentem propostas de pesquisa conjuntas nas linhas regulares da FAPESP e às agências de fomento acessíveis aos parceiros internacionais da Fundação para dar continuidade à colaboração iniciada e consolidar a parceria, como fizeram os pesquisadores da Unifesp e da Emory University, que agora desenvolvem a plataforma.

Pauliceia 2.0

Denominada Pauliceia 2.0, a plataforma está sendo desenvolvida com apoio da FAPESP no âmbito do Programa de Pesquisa em eScience.

“A ideia do projeto é criar uma plataforma aberta a fim de disponibilizar uma base cartográfica de São Paulo nesse período de grande densidade historiográfica. Foi nessa época que a cidade tornou-se uma metrópole industrial”, disse Luis Antonio Coelho Ferla, professor do Departamento de História da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp, campus de Guarulhos, e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

De acordo com Ferla, qualquer pesquisador que tenha dados passíveis de representação espacial e temporal poderá alimentar a plataforma.

Um pesquisador que estudou crimes na cidade no começo do século XX, por exemplo, poderá disponibilizar na plataforma os endereços onde eles aconteceram e informações relacionadas. Outro pesquisador que tenha realizado um levantamento dos bares existentes na cidade nesse mesmo período também poderá fazer o mesmo.

A plataforma permitirá produzir mapas e visualizações dos dados dessas duas pesquisas e, ao integrá-los, possibilitar novas abordagens da história de São Paulo, como a relação entre crimes e bares na cidade em um mesmo período.

“Os usuários da plataforma também poderão fazer análises sem que tenham que alimentá-la com dados”, explicou Ferla. “A meta é ter uma versão beta da plataforma em 2018 para que um grupo de potenciais usuários possa testá-la e iniciar uma interação”, afirmou.

Parcerias duradouras

A parceria entre os pesquisadores da Unifesp e da Emory University começou anos antes desse atual projeto.

Em 2015, Jeffrey Lesser, chefe do Departamento de História e ocupante da Cátedra de Estudos Brasileiros da universidade americana realizava uma pesquisa no Arquivo Público do Estado de São Paulo para um projeto de estudo quando conheceu o laboratório Hímaco, instalado na instituição e coordenado por Ferla, voltado ao uso de novas tecnologias digitais – especialmente Sistemas de Informação Geográfica – em pesquisas históricas.

Após conhecer o trabalho desenvolvido no Hímaco, Lesser decidiu colocar Ferla em contato com Tom Rogers, professor associado de história moderna da América Latina da Emory University – que na época estudava a migração rural para a cidade de São Paulo –, e Michael Page, professor de ciências geoespaciais e tecnologia no Departamento de Ciências Ambientais da universidade americana e especialista em projetos de atlas digitais.

Rogers e Page, em parceria com Ferla e os professores da Unifesp Maximiliano Mac Menz, Fernando Atique e Janes Jorge, decidiram realizar um projeto de pesquisa colaborativa voltado a desenvolver um atlas histórico digital da cidade de São Paulo que forneceria a base geoespacial para os seus projetos, muitos dos quais já estavam em andamento.

Eles decidiram submeter uma proposta para uma chamada do SPRINT em parceria com a Emory University, que acabara de ser lançada, e foram selecionados.

A parceria se consolidou com a ida de Ferla em setembro de 2016 para Atlanta, nos Estados Unidos, para participar como palestrante da “Emory for Brazil Week”. Pouco tempo depois, um grupo de pesquisadores da universidade norte-americana veio ao Brasil para encontrar pesquisadores da Unifesp e dar continuidade ao projeto.

Em 2016, eles submeteram o projeto de desenvolvimento da plataforma colaborativa digital Pauliceia 2.0 a uma chamada de propostas de pesquisas lançada pelo programa eScience, que foi selecionada.

“Já tivemos alguns encontros para dar prosseguimento aos projetos e plataformas que estamos desenvolvendo em parceria com brasileiros, que são fundamentados em uma colaboração entre as áreas de Humanas e Ciência da Computação e que criaram uma base para construir uma relação entre os grupos da Emory University e da Unifesp que deve continuar durante muitos anos”, estimou Rogers.

“Mas nossas ambições vão muito além dessa relação, pois pretendemos criar um modelo de parceria que poderá ser replicado em outros contextos, âmbitos e cidades”, afirmou.

Diversidade de projetos

O SPRINT tem quatro chamadas por ano. As propostas devem sem apresentadas sempre até a última segunda-feira dos meses de janeiro, abril, julho e outubro.

A primeira chamada de 2017 do SPRINT está aberta até o dia 24 de abril para submissão de novas propostas de mobilidade entre pesquisadores do Estado de São Paulo e de 14 instituições de ensino e pesquisa de nove países, com as quais a FAPESP mantém acordo de cooperação.

O programa já apoiou mais de cem projetos de pesquisa realizados por pesquisadores vinculados a universidades públicas e privadas e a instituições de pesquisa sediadas no Estado de São Paulo em colaboração com cientistas da Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, França, Holanda, Canadá, Irlanda, Irã, Argentina, Espanha, África do Sul, País de Gales, Escócia, Alemanha, Bélgica, China e Suécia.

Um dos pesquisadores que tiveram projeto apoiado pelo SPRINT foi Aparecido Carlos Gonçalves, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Ilha Solteira.

O pesquisador realiza em colaboração com Stephen Ekwaro Osire, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Texas Tech University, dos Estados Unidos, uma pesquisa voltada a fazer uma análise probabilística de lubrificantes utilizados em caixas de engrenagens de turbinas eólicas, com o intuito de estimar o tempo de vida útil desses equipamentos.

A pesquisa resultou em um livro, intitulado Probabilistic Prognostics and Health Management of Energy Systems, que será lançado no início da primeira quinzena de maio durante um workshop no campus da universidade americana em Lubbock, no Texas.

“O projeto combina a experiência do grupo de pesquisadores da Texas Tech University na parte de vibrações com o nosso conhecimento sobre lubrificantes para tentar determinar, com precisão, a vida útil de uma máquina usada em turbinas eólicas. Mas nada impede que o conhecimento gerado também seja aplicado em motores de combustão interna”, afirmou Gonçalves.


 

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