1 Software livre ajuda a gerenciar dados de experimentos em Neurociência | AGÊNCIA FAPESP

Software livre ajuda a gerenciar dados de experimentos em Neurociência | AGÊNCIA FAPESP

Software livre ajuda a gerenciar dados de experimentos em Neurociência Programa está sendo desenvolvido pela equipe do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat), um dos CEPIDs apoiados pela FAPESP. Primeiro módulo já está disponível para download (foto: Juan Ojea)

Software livre ajuda a gerenciar dados de experimentos em Neurociência

12 de dezembro de 2014

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – O Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat) – um dos CEPIDs apoiados pela FAPESP – acaba de lançar o primeiro módulo do software livre Neuroscience Experiments System (NES), que auxilia na organização, controle e gerenciamento de dados neurofisiológicos clínicos e experimentais.

Essa primeira versão da ferramenta, disponível para download no site https://github.com/neuromat/nes, foi concebida para oferecer uma interface amigável para o armazenamento de dados clínicos e avaliações médicas de pacientes e voluntários de experimentos. Além disso, há uma interface para o gerenciamento dos questionários eletrônicos aplicados nas pesquisas.

“O software integra um projeto de construção de um banco de dados neurofisiológicos público, organizado pelo CEPID NeuroMat, uma iniciativa pioneira em Neurociência. Além disso, esperamos que essas iniciativas facilitem a cooperação entre pesquisadores”, disse Kelly Rosa Braghetto, professora do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP) e membro do grupo responsável pelo desenvolvimento do NES.

Criado em 2013 na USP, o NeuroMat reúne cerca de 50 pesquisadores de áreas como Matemática, Ciência da Computação, Estatística, Neurociência, Biologia, Física e Comunicação, de universidades brasileiras e estrangeiras. O objetivo do grupo é integrar modelagem matemática e Neurociência, em busca de uma maior compreensão do funcionamento do cérebro humano.

De acordo com Braghetto, o primeiro módulo do software NES foi construído usando como modelo os experimentos conduzidos no Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a coordenação da professora Claudia Vargas, uma das pesquisadoras principais do CEPID.

“O grupo da UFRJ acompanha a reabilitação de pacientes com lesão no plexo braquial [um tipo de lesão neurológica que prejudica o movimento dos braços e das mãos]. Esse primeiro módulo foi desenvolvido para cadastrar dados ambulatoriais”, disse Braghetto à Agência FAPESP.

Também está em fase de implementação um módulo para o registro de informações dos protocolos experimentais e das medidas fisiológicas coletadas nas pesquisas.

“Muitas vezes o pesquisador não registra todos os detalhes do protocolo adotado durante a realização do experimento, como determinados parâmetros da configuração dos equipamentos. Esses detalhes podem ter impacto na análise dos dados. O software vai evitar esse tipo de situação”, disse Braghetto.

Código aberto 

Segundo a pesquisadora, como o código do programa é aberto, os interessados podem baixar e fazer adaptações para atender às necessidades de suas próprias pesquisas.

O próximo módulo a ser desenvolvido tem o objetivo de gerenciar dados coletados em exames de neuroimagem, como a ressonância magnética. Haverá ainda um módulo dedicado ao gerenciamento de dados obtidos em experimentos com animais.

A sequência de implementação dos módulos de aquisição de dados do NES será priorizada em função das demandas dos laboratórios associados ao CEPID.

A equipe do NeuroMat espera que, no futuro, as bases de dados de experimentos em Neurociência possam ser compartilhadas entre cientistas.

“O cuidado com a privacidade dos voluntários e pacientes de quem os dados são coletados é uma marca fundamental do desenvolvimento tecnológico do CEPID. A prática de disponibilização de bases de dados já ocorre em outras áreas da ciência com certa frequência, mas ainda é incomum em Neurociência”, comentou Braghetto.

Mais informações: http://neuromat.numec.prp.usp.br
 

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