Software faz diagnóstico de câncer | AGÊNCIA FAPESP

Tela do programa de computador desenvolvido na USP de São Carlos auxilia no diagnóstico de diversos tipos de leucemia

Software faz diagnóstico de câncer

12 de novembro de 2004

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Um programa de computador capaz de analisar as características das células sangüíneas de um paciente e auxiliar na detecção de anomalias leucocitárias acaba de ser desenvolvido no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFSC/USP), em São Carlos.

Batizado de Leuko, o programa trabalha por meio de imagens do sangue para identificar linfócitos leucemizados. "O software analisa as imagens captadas por uma câmera digital acoplada ao microscópio", disse a analista de sistemas e criadora do software Daniela Ushizima à Agência FAPESP. "A ocorrência de leucemia é detectada pela classificação das células de defesa segundo atributos físicos, como coloração, textura e formato do núcleo."

O programa de computador faz a identificação de células ligadas a vários tipos de leucemias, como a linfóide crônica (LLC), a prolinfocítica e a tricoleucemia. A LLC, que se caracteriza por um número elevado de linfócitos no sangue, acomete aproximadamente 1,5 mil pessoas por ano no Brasil.

Para Daniela, uma das grandes vantagens do software é a economia, uma vez que os exames complementares que identificam as células doentes demandam equipamentos caros e mão-de-obra altamente qualificada. "Além de reduzir os custos do diagnóstico, devemos considerar que são poucos os centros de saúde capazes de identificar casos de leucemia. Com a ajuda do programa, outros laboratórios podem realizar uma triagem com mais facilidade, de modo a detectar a doença", acredita.

O sistema pode ainda ser utilizado como ferramenta didática para o estudo de características celulares. "A idéia é trabalhar com micrografias digitais, que garantem durabilidade à informação das lâminas de sangue, além de usar a análise por visão computacional para quantificar propriedades das células", disse Daniela. "Isso evitaria a necessidade de ter arquivos pessoais de lâminas de microscópio, na medida em que é possível criar um amplo arquivo de imagens digitalizadas."

A pesquisa que gerou o software contou com financiamento da FAPESP e serviu como tese de doutorado de Daniela. O trabalho foi orientado pelo professor Luciano da Fontoura Costa (IFSC) e teve co-orientação do professor Marco Antonio Zago, do Hemocentro da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), além de contar com a colaboração do Departamento de Engenharia Elétrica e da Computação da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, nos Estados Unidos.


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