Prêmio presidencial | AGÊNCIA FAPESP

A astrofísica Merav Opher, graduada e pós-graduada pela USP, recebe na Casa Branca a principal honraria do governo dos Estados Unidos para jovens cientistas

Prêmio presidencial

05 de janeiro de 2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A astrofísica Merav Opher, professora do Departamento de Física e Astronomia da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, acaba de ganhar o principal prêmio do governo norte-americano para jovens cientistas: o Presidential Early Career Award for Scientists and Engineers (Pecase).

Graduada pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), Merav fez toda a sua pós-graduação no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da mesma universidade: mestrado em 1993, doutorado em 1996 e pós-doutorado em 1999, os três como bolsista da FAPESP.

O prêmio foi atribuído à cientista por seu “trabalho fundamental sobre a evolução de ondas de choque e camadas não-lineares de plasma associadas ao vento solar”.

De acordo com Merav, que recebeu o prêmio do presidente George W. Bush na Casa Branca, a citação atribuída a ela pela comissão da honraria indica que o seu trabalho foi agraciado pelo pioneirismo em uma área ainda pouco estudada.

“Minha linha de pesquisa envolve duas áreas: o estudo de ondas de choque no Sistema Solar e a aceleração de partículas neste sistema e no espaço interestelar. São fenômenos importantes para o clima espacial e poucos os estudaram na mesma perspectiva”, disse à Agência FAPESP.

Merav, que é filha de Reuven Opher, professor titular do Departamento de Astronomia do IAG-USP, conta que, recentemente, fez diversas descobertas demonstrando que o Sistema Solar é distorcido por um campo magnético externo.

Utilizando um código de simulação magneto-hidrodinâmico tridimensional altamente sofisticado, ela conseguiu fazer simulações sobre o efeito de ondas de choque e camadas duplas de plasma na borda do Sistema Solar, explicando alguns resultados observados pelas sondas Voyager.

“Acho que essas descobertas deram credibilidade aos meus estudos sobre os choques perto do Sol. Consegui mostrar que o efeito dos campos magnéticos é fundamental”, afirmou.

O prêmio Pecasa, criado em 1996 pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do governo norte-americano, tem o objetivo de apoiar o conhecimento gerado por jovens que se destacam em carreiras independentes de pesquisa em várias áreas do conhecimento. O prêmio é concedido anualmente pela Casa Branca, seguindo recomendações das principais agências do país, como a National Science Foundation.

No Brasil, Merav estudou os efeitos de campos magnéticos no Universo, mas não a física espacial focada em choques. “Entrei nessa linha depois de ir para a UCLA [Universidade da Califórnia em Los Angeles], onde trabalhei com o Grupo de Plasma. Ali, passei ao estudo detalhado de processos de plasma associados à ejeção de massa da coroa solar e ao vento solar”, contou.

Na tese de doutorado, estudou o efeito de flutuações de plasma no espectro de corpo negro do universo primordial. Posteriormente, passou a investigar o efeito dessas flutuações nas taxas de reações nucleares em plasmas estelares e foi convidada, em 1999, para integrar o grupo da UCLA. Entre 2001 e 2005, trabalhou no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, no Instituto de Tecnologia da Califórnia.

No momento, a pesquisadora continua trabalhando com os efeitos do campo magnético nas áreas médias do Sistema Solar. “E estou estudando, com meus alunos, os efeitos próximos ao Sol e suas conseqüências sobre o ambiente no entorno da Terra. Há pouquíssimos cientistas estudando os efeitos de plasma e campos magnéticos nessa perspectiva”, disse.

A pesquisadora, que também se dedica a desenvolver novos modelos computacionais, explica que sua área de atuação se situa na interligação entre tecnologias digitais, física, astrofísica e plasma.

“O que eu considero fascinante nesses temas é poder estudar tudo isso utilizando computadores. As sofisticadas modelagens numéricas podem ser usadas em experimentos em conjunção com novas abordagens teóricas e dados observacionais”, destacou.

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