Pesquisador da UFSCar recebe prêmio da American Ceramic Society | AGÊNCIA FAPESP

Edgar Dutra Zanotto coordena há mais de 35 anos pesquisas sobre o processo de cristalização controlada de vidros e desenvolvimento de materiais vitrocerâmicos (UFSCar)

Pesquisador da UFSCar recebe prêmio da American Ceramic Society

27 de março de 2012

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – O professor e pesquisador Edgar Dutra Zanotto, do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi escolhido para receber o prêmio “George W. Morey”, oferecido pela American Ceramic Society (ACerS).

A homenagem reconhece as pesquisas mais relevantes no campo da ciência e tecnologia do vidro e, pela primeira vez, é concedida a um pesquisador latino-americano. No rol de homenageados também está Charles Kuen Kao, vencedor do Prêmio Nobel por seu trabalho com transmissão da luz em fibras ópticas.

“É um prêmio para pesquisadores com pelo menos 20 anos de carreira. Foi concedido pelo conjunto das pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Materiais Vítreos (LaMaV) da UFSCar nas três últimas décadas”, contou Zanotto à Agência FAPESP.

O pesquisador fundou o LaMaV em janeiro de 1977, quando havia acabado de se formar no curso de Engenharia de Materiais, e ainda hoje coordena o laboratório. Durante esse período, dedicou-se principalmente a estudar o processo de cristalização controlada dos vidros e suas propriedades e trabalhou no desenvolvimento de novos materiais vitrocerâmicos.

“Se a cristalização ocorre de forma descontrolada durante o processo de fabricação do vidro, o produto fica arruinado. Mas quando o processo ocorre de forma controlada, as propriedades mecânicas, ópticas, térmicas, elétricas, magnéticas e químicas do material mudam radicalmente, dando origem a novos materiais que chamamos de vitrocerâmicos”, explicou Zanotto.

A tecnologia está presente em discos rígidos de laptops, lâmpadas de projetores multimídia, placas de fogões do tipo cooktop, panelas resistentes a choques térmicos e espelhos de telescópios gigantes. O material também é usado na fabricação de ossos e dentes artificiais e para substituir mármores e granitos na construção civil.

“São produtos de alta tecnologia, mais resistentes, não riscam e não mancham. Não são baratos, mas oferecem inúmeras vantagens sobre o mármore e granito. Podem ser fabricados em qualquer cor e mantém a beleza por mais tempo”, disse Zanotto.

O trabalho no LaMaV rendeu a Zanotto outros dois importantes prêmios do setor. Em 1990, recebeu do Journal of Non-Crystalline Solids, o “Zachariasen Award”. Em 1993, ganhou o “Vittorio Gottardi Memorial Prize” da International Commission on Glass.

“Há uns seis importantes prêmios internacionais relacionados à pesquisa com materiais vítreos e a nossa equipe já ganhou três”, disse.

A cerimônia de entrega do prêmio “George W. Morey” será realizada em maio na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos, durante o congresso anual da Divisão de Vidros e Materiais Ópticos da ACerS. Na ocasião, Zanotto apresentará uma palestra plenária sobre os resultados mais relevantes obtidos por ele, seus alunos e colaboradores do LaMaV.

“É uma grande honra. Espero que sirva para atrair alunos bons para cá e mais financiamento para nossas pesquisas.”, afirmou.

Atualmente, Zanotto coordena o Projeto Temático " Processos cinéticos em vidros e vitrocerâmicas", financiado pela FAPESP.

Zanotto também atuou como coordenador-adjunto da diretoria científica da FAPESP entre 1995 e 2005. Nesse período, participou da criação e coordenação do Núcleo de Patentes e Licenciamento de Tecnologia (Nuplitec), que tem como objetivo proteger a propriedade intelectual de inventos criados nos projetos financiados pela instituição.

Para o futuro, planeja criar em São Carlos um centro de ensino, pesquisa e inovação na área de materiais vítreos, que deverá reunir especialistas da UFSCar e da Universidade de São Paulo (USP) e inúmeros colaboradores do Brasil e exterior.

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