Novos impactos | AGÊNCIA FAPESP

Edição anual do Journal Citation Reports tem 1.075 publicações científicas que receberam fator de impacto pela primeira vez, entre as quais 35 brasileiras (Wikimedia)

Novos impactos

08 de agosto de 2011

Por Mônica Pileggi

Agência FAPESP – A nova edição do Journal Citation Reports (JCR), divulgado pela Thomson Reuters, lista 10.196 publicações científicas de 84 países, das quais 103 são do Brasil. O relatório mostra que, das 1.075 publicações que receberam fator de impacto pela primeira vez, 35 são brasileiras.

O JCR divulga anualmente, desde 1972, o fator de impacto de periódicos científicos internacionais. O relatório funciona como ferramenta de avaliação das revistas e reúne dados do Institute for Scientific Information – ISI Web of Knowledge com o objetivo de acumular e tabular a contagem de artigos e citações de diversas especialidades de ciências, tecnologia e ciências sociais.

O fator de impacto foi calculado pelo número de citações no ISI em 2010 – referentes a artigos publicados em 2009 e em 2008 –, dividido pelo número total de artigos publicados pela revista nos dois anos.

Segundo Abel Packer, coordenador operacional do SciELO (Bireme/FAPESP), o bom desempenho dos periódicos brasileiros pode ser observado desde a edição de 2009 do JCR. “A entrada de novos periódicos em 2007 na base ISI contribuiu muito para o aumento do número de artigos e citações de autores brasileiros”, disse à Agência FAPESP.

Entre as brasileiras indexadas em 2008 no ISI está a Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, que na nova edição do JCR recebeu seu primeiro fator de impacto: 0,934.

“Em nossa área e no Brasil, estamos abaixo apenas da Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, revista mais tradicional no assunto”, disse o professor Thales de Brito, editor da publicação que acaba de ser avaliada.

Brito atribui a avaliação ao aumento do número de revisores internacionais e ao idioma em que a Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo é impressa desde 1995, o inglês. De acordo com o professor, isso facilitou a leitura e a citação dos artigos. “É uma língua de comunicação científica estabelecida e com jargão técnico bastante conhecido”, disse.

Desde que passou a ser publicada apenas em inglês, a revista tem recebido artigos submetidos por pesquisadores de outros países, como Argentina, Peru e Costa Rica. “Também recebemos trabalhos da Nigéria, Irã e Turquia. São países com problemas endêmicos semelhantes ao nosso”, ressaltou.

Outras revistas do Brasil que entraram no JCR são Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (com fator de impacto de 0,963), o Brazilian Journal of Biology (0,625), a Revista Brasileira de Medicina do Esporte (0,445) e o Bioscience Journal (0,203).

Entre os periódicos brasileiros já indexados e bem avaliados na nova edição do JCR está o Journal of Applied Oral Science (JAOS), cujo fator de impacto saltou de 0,386, na edição anterior, para 0,966.

Para o professor Carlos Ferreira dos Santos, editor da JAOS – antiga Revista da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo –, que assumiu o cargo com a responsabilidade de internacionalizar a publicação, o inglês foi fundamental para o aumento no fator de impacto.

Em 2006, a revista deixou de ser bilíngue e passou a ser publicada apenas em inglês. Outra meta destacada por Santos é o aumento da base de autores e revisores estrangeiros.

“Hoje, temos cerca de 70% revisores estrangeiros e 30% brasileiros. Além disso, recebemos muitos artigos da União Europeia, seguida dos Estados Unidos, Ásia e Oceania. Isso, aliado ao acesso aberto à versão completa dos artigos na base SciELO, contribuiu para o aumento do fator de impacto do Journal of Applied Oral Science”, disse.

Journal of Citation Reports: http://wokinfo.com/products_tools/analytical/jcr
 

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