Nanorrobótica medicinal | AGÊNCIA FAPESP

Nanorrobótica medicinal

20 de setembro de 2004

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Um robô de proporções microscópicas, com tamanho seis vezes menor do que a de um glóbulo vermelho. Graças às técnicas avançadas da nanotecnologia, cientistas da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), imaginam que um protótipo real de nanorrobô, capaz de executar diferentes aplicações, do tipo inserir fármacos diretamente nas células, poderá estar disponível no mercado em um período de cinco a dez anos.

Prevendo o implantação da tecnologia, o pesquisador Adriano Cavalcanti, do Departamento de Microondas e Ótica da FEEC, desenvolveu um software chamado Nanorobot Control Design (NCD). O programa é capaz de criar um modelo de nanorrobô com o tamanho de 1 mil nanômetros, isto é, o mesmo que um micrômetro ou um milímetro dividido em mil partes. Para efeito de comparação, um glóbulo vermelho tem 6 mil nanômetros de diâmetro.

"O software cria condições para os projetistas de nanorrobôs desenvolverem seu protótipos com mais precisão", disse o coordenador do projeto, Luiz Carlos Kretly, à Agência FAPESP. "Trata-se de um simulador em três dimensões que cria um ambiente virtual onde se pode colocar uma coleção de robôs capazes de, por exemplo, entregar drogas para determinados órgãos do corpo humano ou desobstruir artérias do coração", explica Kretly. Como medida de segurança, todo o comportamento do robô é gravado para análise posterior.

Por meio de um propulsor, um sensor de contato responsável pela entrega do material à molécula, barbatanas e sensores acústicos que indicam a direção a ser seguida pelo robô, o protótipo é projetado para se movimentar em líquidos quimicamente agressivos, desviar de obstáculos e evitar um ataque do sistema imunológico do corpo humano.

Segundo Kretly, uma aplicação útil dos nanorrobôs pode estar no combate ao diabetes. Nesse caso, o robô poderia ser guiado até a medula óssea, capturar células-tronco e levá-las até o pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina no corpo humano. "Já estamos desenvolvendo uma simulação eficaz para a construção de nanorrobôs que irão auxiliar o tratamento de diabetes, em parceria com o Institute for Molecular Manufacturing, na Califórnia (EUA)", revela o pesquisador da Unicamp.

Outra finalidade seria fazer com que os nanorrobôs pudessem atuar dentro dos vasos sangüíneos que circundam o coração, para substituir processos cirúrgicos como, por exemplo, o desentupimento de artérias. Um projeto dessa natureza está sendo desenvolvido pela universidade paulista em conjunto com os Departamentos de Engenharia Biomédica e de Mecânica dos Fluidos da Universidade de Telaviv, em Israel.


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