Linhas de 30 mil anos | AGÊNCIA FAPESP

Cientistas descobrem em caverna as mais antigas fibras usadas por humanos. Material, derivado do linho, era empregado para produção de ferramentas, cestos e vestimentas (divulgação)

Linhas de 30 mil anos

11 de setembro de 2009

Agência FAPESP – As mais antigas fibras usadas por humanos foram descobertas por um grupo internacional de cientistas na Geórgia, república do Cáucaso localizada na fronteira entre Europa e Ásia. As fibras, de linho (Linum usitatissimum), eram usadas há mais de 30 mil anos, como descreve artigo publicado na edição desta sexta-feira (11/9) da revista Science.

De acordo com a pesquisa, as fibras, de diferentes dimensões, eram empregadas como cordas ou linhas para amarrar ferramentas de pedra e costurar cestos ou vestimentas. As fibras eram trançadas ou usadas com numerosos nós e até mesmo tingidas, em tonalidades como cinza, preto, azul ou rosa.

As fibras foram encontradas na caverna de Dzudzuana, que reúne uma série de camadas sedimentares do Paleolítico superior. Também foram identificados restos de cabelo humano, insetos e fungos que costumam crescer em materiais têxteis.

“Essa foi uma invenção fundamental dos primeiros humanos. Eles podem ter usado tais fibras para criar vestimentas, cordas ou cestos, itens usados principalmente em atividades domésticas. Sabemos que eles usavam linho selvagem que crescia nos arredores da caverna”, disse Ofer Bar-Yosef, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo.

Os itens criados com a ajuda das fibras aumentavam as chances de sobrevivência e de mobilidade nas condições adversas encontradas na região montanhosa. Os cientistas estimam que as fibras podem ter sido usadas para a manufatura de roupas e calçados, que garantiriam a sobrevivência durante o rigoroso inverno.

O estudo aponta que as fibras também podem ter sido aplicadas na produção de cestos para carregar itens essenciais, melhorando a mobilidade e oferecendo uma grande vantagem em uma sociedade baseada na caça.

Algumas das fibras descobertas estavam trançadas, indicando que foram usadas como cordas. Outras foram tingidas, com o uso de plantas encontradas na região.

As amostras descobertas não são visíveis ao olho nu porque os itens que elas preendiam foram desintegrados há muito tempo. Os pesquisadores descobriram as fibras por meio do exame microscópico de amostras de argila retiradas de diferentes camadas da caverna.

Até então, o uso mais antigo de fibras pelo homem havia sido registrado no sítio arqueológico de Dolni Vestonice, na República Checa, com 28 mil anos.

Os cientistas encontraram as fibras enquanto analisavam amostras de pólen de árvores em estudo das variações ambientais e de temperatura em um período de milhares de anos.

O artigo 30,000-Year-Old Wild Flax Fibers, de Eliso Kvavadze e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
 

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