Internacionalização e diplomacia na Semana de Ciência Brasil-Irlanda | AGÊNCIA FAPESP

Internacionalização e diplomacia na Semana de Ciência Brasil-Irlanda Palestra de Munir Salomão Skaf, da Unicamp, no primeiro dia da Semana de Ciência Brasil-Irlanda, no Dublin Castle, em Dublin (foto: Barry Cronin)

Internacionalização e diplomacia na Semana de Ciência Brasil-Irlanda

26 de fevereiro de 2015

Por Carlos Eduardo Lins da Silva, de Dublin

Agência FAPESP – O presidente da FAPESP, Celso Lafer, proferiu na terça-feira (24/02) em Dublin, na Irlanda, palestra sobre a estratégia de internacionalização da Fundação, no primeiro dia da Semana de Ciência Brasil-Irlanda, que tem como tema “Pesquisa Colaborativa para um Futuro Melhor”.

Lafer destacou que a ciência atualmente é uma atividade que depende de maneira fundamental de esforços de cooperação entre nações. “Os grandes problemas da humanidade têm dimensão global e a contribuição da pesquisa para sua solução também tem de se dar nesse nível”, disse.

Ele citou como exemplos que mostram o potencial para a contribuição da ciência os avanços obtidos por meio de esforço coletivo mundial em áreas como uso sustentável da biodiversidade, biotecnologia, mudanças climáticas e descobertas no combate ao câncer.

Ao analisar o que a FAPESP tem feito na área da internacionalização, ressaltou que desde 2007 a Fundação assinou 112 acordos de cooperação com universidades, institutos de pesquisa, agências financiadoras e empresas de 25 países, além de organizações multilaterais.

Também relatou o sucesso da iniciativa chamada FAPESP Week, tipo de encontro cientifico que vem sendo realizado desde 2011 em várias nações para promover o encontro multidisciplinar de pesquisadores paulistas com os de outras nacionalidades.

“A estratégia de internacionalização da FAPESP não se limita a financiar a ida de pesquisadores brasileiros para o exterior com bolsas de pesquisa [em 2014, foram 1.265] ou para participar de congressos [960 no ano passado]. Ela também dá prioridade a trazer pesquisadores estrangeiros de bom nível para São Paulo”, disse.

Isso tem sido feito por meio de bolsas de pós-doutorado (20% de todas as bolsas desse nível concedidas em 2013 foram para estrangeiros, ou seja, 190 de um total de 960). Em 2014, outros 237 pesquisadores de outros países foram a São Paulo para colaborar no desenvolvimento ou no estabelecimento de projetos de instituições paulistas.

As Escolas São Paulo de Ciência Avançada (ESPCAs) têm trazido ao Estado de São Paulo diversos cientistas de grande renome, inclusive diversos prêmios Nobel, para ministrar cursos de curta duração para grupos de jovens doutorandos do Brasil e do exterior. A São Paulo Excellence Chair (SPEC) também traz ao estado, para períodos de cooperação mais extensos, cientistas de grande importância.

Ciência e diplomacia

Lafer, que por duas vezes foi ministro das Relações Exteriores do Brasil, também desenvolveu ideias sobre a interação entre diplomacia e ciência para enfatizar o papel da ciência na criação de oportunidades de cooperação e na geração de oportunidades para a cooperação internacional.

A “ciência na diplomacia” ocorre quando pesquisadores oferecem seu conhecimento aos governantes e diplomatas para ajudá-los a formular políticas públicas internacionais; a “diplomacia para a ciência” ocorre quando os diplomatas empregam sua experiência e técnicas para facilitar acordos internacionais de cooperação científica; “a ciência para a diplomacia” se dá quando a colaboração científica ajuda a melhorar as relações entre os países.

“É importante considerar que a ciência cria um ambiente não ideológico para a participação e a troca livre de ideias entre pessoas, independentemente de suas condições nacional, cultural, étnica ou religiosa”, ressaltou Lafer.

“A comunidade científica frequentemente trabalha além das fronteiras, sobre problemas de interesse comum a diversos países. Assim, ela está bem colocada para apoiar formas emergentes de diplomacia, que requerem alianças não tradicionais entre nações, setores econômicos e organizações não governamentais”, afirmou.

Outra exposição sobre a FAPESP no evento de Dublin foi feita por Munir Salomão Skaf, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Skaf relatou aos participantes um pouco do histórico da Fundação, como ela opera, quais são os seus principais programas e projetos e lhes deu uma ideia do estado atual da pesquisa em São Paulo.

Na véspera da abertura do encontro, na segunda-feira (23/02), com a presença dos embaixadores do Brasil em Dublin, Afonso José Sena Cardoso, e da Irlanda em Brasília, Brian Glynn, foram assinados memorandos de entendimento entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação de Ciências da Irlanda (SFI).

Os presidentes da Faperj, Augusto Raupp, e do Confap, Sérgio Luis Gargioni, assinaram por suas instituições, e o diretor-geral da SFI, Mark Ferguson, pela dele. A FAPESP já tem um acordo de cooperação com a SFI, assinado em julho de 2014. 

Mary Robinson

Em Dublin, Lafer também se reuniu com a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson, que atualmente preside uma fundação dedicada ao tema de justiça e mudanças climáticas e participa ativamente das negociações sobre esse tema no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente da FAPESP fez a Robinson um relato dos programas da Fundação que tratam desse assunto e correlatos.

Lafer participou ainda de reuniões com os seus colegas da Faperj e do Confap com o presidente da SFI para discutir futuras formas de cooperação entre as entidades e de encontros com os embaixadores do Brasil em Dublin e da Irlanda em Brasília sobre as relações bilaterais no campo da ciência e tecnologia.
 

Veja mais fotos

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.


Assuntos mais procurados