Imagem molecular | AGÊNCIA FAPESP

Projeto Cíclotron, que prevê a produção de medicamentos radioativos para uso em exames diagnósticos e em projetos de pesquisa no Hospital das Clínicas, é lançado na Faculdade de Medicina da USP (Foto: Divulgação)

Imagem molecular

18 de fevereiro de 2009

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – O Projeto Cíclotron – uma parceria público-privada que prevê a produção de medicamentos radioativos para utilização em exames diagnósticos e em projetos de pesquisa – foi lançado na manhã desta terça-feira (17/2), em cerimônia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na capital paulista.

O projeto contará com a Unidade de Produção de Radiofármacos, que já está sendo construída no Centro de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da FMUSP.

A unidade abrigará, entre outros equipamentos, o cíclotron, que é um acelerador de partículas para a produção dos radiofármacos, e um tomógrafo PET (Positron Emission Tomography, na sigla em inglês), utilizado em exames para identificação de pequenos tumores.

O Projeto Cíclotron está orçado em R$ 17,7 milhões, divididos em investimentos de R$ 7,7 milhões em obras (R$ 4,2 milhões da Secretaria de Estado da Saúde e R$ 3,5 milhões do InRad) e mais R$ 10 milhões do Hospital Sírio-Libanês para outros custos. O convênio entre as instituições foi assinado na cerimônia de lançamento do projeto.

“A unidade de radiofármacos será o primeiro polo de produção instalado em um hospital público do Estado de São Paulo, com o objetivo de fomentar o ensino e a pesquisa na área de imagem molecular”, disse Carlos Buchbiguel, coordenador do Projeto Cíclotron, à Agência FAPESP.

Segundo o radiologista que também é diretor do Centro de Medicina Nuclear do InRad, a Unidade de Produção de Radiofármacos, cujas obras devem ser entregues até outubro, quando a produção terá início, beneficiará pacientes com câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também contribuirá para pesquisas em outras áreas do conhecimento.

“Além da oncologia, os radiofármacos podem ser utilizados em outras duas grandes áreas: a neurologia, principalmente para identificar focos responsáveis pela ocorrência de epilepsia, e a cardiologia, em que é possível identificar se um músculo que infartou ainda possui células ou fibras miocárdicas viáveis, ou seja, que estão metabolizando a glicose e, portanto, estão vivas, mas em sofrimento”, explicou.

“Nesse caso as imagens moleculares indicam a necessidade de uma cirurgia de revascularização para recuperar essas células de um destino irreversível”, disse Buchbiguel.

Polo de excelência

Com a instalação do cíclotron, que será doado pelo Hospital Sírio-Libanês, o objetivo do projeto é fazer com que o Hospital das Clínicas da FMUSP se torne um polo de formação de recursos humanos e de geração de conhecimentos novos em diversas áreas da medicina.

“As fronteiras das informações que a imagem molecular pode produzir e fornecer são ilimitadas e é isso que estamos introduzindo no complexo do Hospital das Clínicas. A idéia é que os alunos da USP possam disseminar as tecnologias na área para outros estados do Brasil”, afirmou Buchbiguel.

Empregados no exame de tomografia por emissão de pósitrons para o diagnóstico, por exemplo, de câncer em estágios iniciais, os radiofármacos serão utilizados em finalidades clínicas e de pesquisa no HC, no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e no Hospital Sírio-Libanês.

Buchbiguel explica que até poucos anos atrás a produção e comercialização dos chamados “radioisótopos de meia-vida ultra-curta”, utilizados nos tomógrafos PET para, segundo ele, “caracterizar doenças do ponto de vista molecular por meio de imagens”, eram monopólio da União por meio da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

“Uma vez que se percebeu que o governo federal não iria conseguir suprir a demanda do país pelos radioisótopos, tanto para assistência clínica como para pesquisa e ensino, há dois anos a Cnen, com base em uma emenda constitucional, fez uma flexibilização do monopólio para produção de radioisótopos por outras instituições”, disse.

Os radioisótopos são incorporados aos radiofármacos para uso no tomógrafo PET. Um desses radioisótopos é o flúor 2 (desoxiglicose), também conhecido como FDG-18F, utilizado em exames para detecção de tumores.

Injetado na corrente sanguínea do paciente, o flúor 2 produzido pelo cíclotron desloca-se rapidamente aos locais onde há maior consumo de glicose, o principal alimento do tumor, mostrando de modo precoce a presença de células tumorais nas imagens. A previsão é que o cíclotron a ser instalado no Hospital das Clínicas da FMUSP produza, pelo menos, dez radioisótopos diferentes.

“Com o cíclotron do HC será possível não só suprir as necessidades assistenciais dos pacientes, mas também desenvolver novos produtos e compostos para aplicação na área clínica, de modo a permitir o diagnóstico mais efetivo e precoce do câncer e de outras doenças”, disse Buchbiguel.

Mais informações: www.hcnet.usp.br
 

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