Garimpagem genética | AGÊNCIA FAPESP

Pesquisa analisa a qualidade de 200 mil seqüências genéticas

Garimpagem genética

15 de março de 2005

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Da quantidade para a qualidade. Em um grande esforço de análise, que precisou de bastante poder computacional e de recursos humanos qualificados, pesquisadores brasileiros do projeto Genoma Câncer resolveram mergulhar fundo em 200 mil seqüências produzidas pelo método Orestes (Open Reading Expressed Sequence Tags) – capaz de identificar fragmentos de genes expressos (ou ativos).

Todo o material é proveniente de 23 tipos diferentes de tumores humanos. "As seqüências foram geradas a partir de amostras de tumores e de tecido normal provenientes da cabeça e do pescoço [boca, laringe e faringe] e da tireóide, durante o projeto Genoma Humano do Câncer (HCGP)", explicou Eduardo Reis, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, à Agência FAPESP.

Reis é um dos autores do artigo Large-Scale Transcriptome Analyses Reveal New Genetic Marker Candidates of Head, Neck, and Thyroid Cancer, publicado na edição de 1º de março do periódico Cancer Research, da Associação Norte-Americana para Pesquisa do Câncer.

A análise dos milhares de seqüências que haviam sido depositados no banco público GenBank trouxe resultados bastante reveladores. Novos caminhos importantes para o melhor entendimento molecular de alguns tipos de tumores estão agora abertos.

"Os dados resultantes deste trabalho contribuem para o entendimento das bases moleculares dos tumores de cabeça, pescoço e tireóide e para a identificação de novas ferramentas de diagnóstico ou prognóstico moleculares dessas doenças", disse Reis.

Depois de vários tratamentos e filtragens sobre as seqüências inicialmente escolhidas, os pesquisadores do Instituto de Química da USP chegaram a um conjunto de 250 genes. Todos eles estão em regiões do genoma já conhecidas anteriormente como envolvidas em perda ou ganho no caso de tumores de cabeça e pescoço. "Esse é um conjunto de fortes candidatos à perda de heterozigose [indicador da diversidade genética de uma população] ou à amplificação gênica nos tipos de tumores analisados", explica Reis.

Mais do que isso. Dentre as duas dezenas e meia de genes, três, a partir dos resultados obtidos pelo grupo do Genoma Câncer, merecerão atenção especial. "Eles foram identificados como marcadores de malignidade em tumores de cabeça e pescoço e ainda validados experimentalmente", disse Reis.

O pesquisador explica que as novas análises genéticas – e o mergulho sobre as seqüências genéticas – abriram alguns caminhos, mas, em todos os casos, o trajeto científico ainda será longo até chegar a aplicações clínicas.

Clique aqui para ler mais sobre a pesquisa em reportagem da revista Pesquisa FAPESP.


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