Formação de pesquisadores | AGÊNCIA FAPESP

Publicação apresenta estudo sobre trajetória acadêmica e profissional dos bolsistas apoiados pela FAPESP entre 1992 e 2002. Dados mostram que 77% passaram a atuar em instituições de pesquisa (foto: Eduardo Cesar)

Formação de pesquisadores

26 de fevereiro de 2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Uma pesquisa sobre o percurso científico e o destino profissional de alunos universitários de graduação e pós-graduandos que solicitaram bolsas à FAPESP entre 1992 e 2002 acaba de ter seus resultados publicados no livro Perfil e trajetória acadêmico-profissional de bolsistas da FAPESP, editado pela Fundação.

O estudo corresponde à segunda parte do projeto Sistema de Avaliação de Resultados de Políticas de Fomento, iniciado em 2004 com o objetivo de contribuir para a elaboração de diagnósticos da situação da ciência e tecnologia no Estado de São Paulo e para a formulação de políticas públicas na área.

A primeira parte do projeto consistiu em um inventário dos equipamentos científicos e tecnológicos adquiridos no período de 1995 a 2002 com apoio da FAPESP. Os resultados foram publicados no livro Parque de Equipamentos de Pesquisa, em 2007. O projeto foi conduzido pelos professores Carlos Vogt, Geraldo Di Giovanni, Eugênia Charnet, Helena Carmo Antunes e Jocimar Archangelo.

De acordo com Celso Lafer, presidente da FAPESP, a iniciativa permite avaliar os impactos do trabalho feito pela Fundação ao tipificar a demanda dirigida à instituição em diversas áreas do conhecimento. “A FAPESP dedica uma parte importante de sua receita – cerca de um terço dela – à formação de recursos humanos, pois não há pesquisa de qualidade sem pesquisadores qualificados. O livro permite mensurar os resultados desse investimento, apresentando um cuidadoso mapeamento da trajetória científica e profissional de cerca de 5 mil bolsistas, indicando onde eles passaram a exercer suas atividades”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Lafer, além de ser uma forma de prestar contas à sociedade em relação aos investimentos da FAPESP, os resultados, que serão acoplados ao Sistema de Apoio a Gestão (SAGe), servirão como instrumento de gestão da Fundação.

“O estudo resultará em um banco de dados dinâmico que constituirá, para a FAPESP, um mecanismo perene de suporte à avaliação. Esse trabalho, portanto, será integrado ao próprio processo decisório da Fundação”, destacou.

O levantamento indica que, entre os contemplados com pelo menos uma modalidade de bolsa, mais da metade (54,5%) chegou ao doutorado. Desses doutores, cerca de 77% atuam hoje em instituições de ensino e pesquisa e só 13,2% não prosseguiram na carreira acadêmica.

Segundo Lafer, um dos dados que mais chamam a atenção é que 18,6% dos pesquisadores que tiveram bolsas da FAPESP e seguiram carreira acadêmica atuam hoje fora do Estado de São Paulo. Outros 79,7% permanecem em território paulista e 1,7% está no exterior.

“Observando o mapa da distribuição atual desses pesquisadores no Brasil, incluído no livro, podemos ver como essa qualificação de pessoal se irradia pelo país. Isso demonstra como a FAPESP é decisiva para a produção científica nacional”, disse.

Distribuição equilibrada

De acordo com Vogt, secretário do Ensino Superior de São Paulo e ex-presidente da FAPESP, é importante que a Fundação tenha subsídios para avaliar seus programas e políticas de fomento. “Análises como essa permitem avaliar a eficácia de suas formas de apoio, que se traduz nos resultados alcançados. Os resultados mostram que as políticas da FAPESP são adequadas e coerentes e podem ajudar a Fundação a melhorá-las”, disse.

Segundo Di Giovanni, o levantamento demandou um trabalho intenso por parte da equipe, já que os quase 12 mil processos que compõem a amostra foram selecionados manualmente de um total de 53.789. Os dados do início da década de 1990 não estavam digitalizados.

“Enviamos cartas para os ex-bolsistas que estavam cadastrados, mas em muitos casos a única alternativa foi telefonar para as instituições às quais eles eram vinculados ou para seus ex-orientadores. Quando conseguimos os contatos, enviamos e-mails com questionários eletrônicos. Isso nos ajudou a mapear a trajetória de 5 mil bolsistas em 12 campos do conhecimento”, explicou.

Os dados destacam que a distribuição das bolsas é bem equilibrada entre as diversas áreas e entre as diferentes naturezas institucionais. “Fica claro que a FAPESP financia igualmente as pesquisas em ciências exatas e humanas, tanto nas instituições públicas como nas particulares”, disse o pesquisador do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A distribuição das bolsas por gênero também é isonômica: homens e mulheres procuraram por apoio da FAPESP na mesma medida em que os gêneros se inserem em cada campo do conhecimento, com maior proporção de homens em astronomia e ciências espaciais, economia e administração, geociências, matemática, física, química e engenharia. As mulheres, por outro lado, são maioria em arquitetura e urbanismo, agronomia e veterinária, biologia, saúde e ciências humanas e sociais.

O estudo mostra também que os bolsistas têm perfil com características típicas do ensino superior brasileiro de modo geral. Predominam os brancos e egressos do ensino médio regular, cursado em período diurno e em escola privada.

O estudo também considerou aqueles que não tiveram seu pedido de bolsa concedido, grupo que corresponde a cerca de 35% da amostra analisada. Entre eles, a maioria manteve o projeto inicial e seguiu a carreira acadêmica com recursos próprios ou submeteu o projeto a outras agências de fomento.

Dos bolsistas que se tornaram pesquisadores, 26,4% se ligaram à Universidade de São Paulo, 9,1% à Universidade Estadual Paulista, 8,4% à Unicamp, 27% a outras instituições públicas e 27,3% a instituições privadas.

Dentre os tipos de trajetórias identificadas, 42,5% incluem iniciação científica, 31,4% mestrado, 17,7% doutorado e 8,5% pós-doutorado. O conceito de trajetória adotado se refere ao caminho percorrido pelo cientista durante a sua vida profissional.

O estudo também incluiu uma avaliação dos ex-bolsistas sobre a FAPESP. Os resultados mostram alto grau de satisfação em todas as dimensões abordadas. Mais de 92% dos entrevistados classificaram sua satisfação com a bolsa recebida com notas 8, 9 e 10 em uma escala de 0 a 10.

O livro Perfil e trajetória acadêmico-profissional de bolsistas da FAPESP pode ser baixado em arquivo pdf no endereço http://www.fapesp.br/publicacoes/perfilbolsistas.pdf.
 

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