Fazendo nanoarte | AGÊNCIA FAPESP

Pesquisadores do CMDMC, um dos CEPIDs da FAPESP, registram imagens surpreendentes a partir de partículas com dimensões nanométricas de materiais cerâmicos (foto: CMDMC)

Fazendo nanoarte

16 de novembro de 2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – A nanotecnologia lida com partículas que medem bilionésimos do metro, portanto invisíveis a olho nu, mesmo com ajuda dos microscópios comuns. Mas se trata de um universo que, além de ter enorme potencial de aplicações, conta com visual sem igual.

O material é ideal para a arte, ou melhor, para a nanoarte, como mostram pesquisadores ligados ao Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP – e ao Instituto Nacional de Ciência dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN), também apoiado pela FAPESP.

O grupo tem obtido imagens surpreendentes a partir de nanopartículas de materiais cerâmicos. O que começou como um simples experimento deu tão certo que, inserido na pesquisa do centro, virou o projeto Nanoarte. Além de exposições de fotos, que começaram o ano passado, a iniciativa já conta com quatro vídeos disponíveis no YouTube

Segundo Antonio Carlos Hernandes, professor do Departamento de Física e Ciência dos Materiais do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), a proposta do projeto é popularizar o nanomundo dos materiais e estimular a curiosidade científica a partir das imagens obtidas em microscópio eletrônico de altíssima resolução.

“Quando iniciamos a pesquisa em nanomateriais, não tínhamos a menor ideia de que agregaríamos também um projeto artístico. Mas no momento da seleção das imagens, realizada por dois estudantes, vimos que seria interessante levar informações aliadas às belas imagens para a população em geral”, disse à Agência FAPESP .

As imagens, feitas em preto e branco, são selecionadas e catalogadas. Em seguida, são coloridas por um programa de computador. No caso de vídeos, são exibidas junto com uma trilha sonora.

“Uma partícula sobre a outra, por exemplo, pode gerar uma imagem inusitada. Nem sempre as imagens que são mostradas e que têm uma beleza estética são exatamente os resultados que a gente queria do ponto de vista científico. Mas não alteramos a estrutura, somente mudamos a cor”, disse Hernandes.

As primeiras exposições de fotos começaram no ano passado em alguns centros culturais de São Carlos. Durante as exposições, um monitor explicava os princípios da nanotecnologia. Mas, como a ideia inicial era apenas popularizar o conhecimento científico sobre nanotecnologia, não havia no projeto um objetivo pedagógico.

“Depois dos primeiros vídeos, recebemos e-mails de várias partes do país que pediam para que os professores pudessem utilizar os vídeos em sala de aula. Foi quando resolvemos montar uma página na internet com o material produzido”, disse.

Olhar diferente

As pesquisas desenvolvidas no CMDMC e no INCTMN procuram obter nanopartículas e materiais nanoestruturados para diversas aplicações. Os projetos desenvolvidos são voltados para áreas como odontologia e indústria de plásticos (nanocompósitos).

“Temos utilizado os nanomateriais para fazer camada protetora em outros produtos, por exemplo. São pesquisas com foco e aplicação muito bem definidos. É o olhar de forma diferente para essas pesquisas que levou à ideia de acoplar a ciência com a arte”, disse Hernandes.

O pesquisador destaca também o trabalho em equipe e a iniciativa do projeto, do professor Elson Longo, do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista, coordenador do CMDMC e do INCTMN. A animação e a arte dos vídeos são de autoria de Rorivaldo de Camargo, técnico em microscopia, e do mestrando Ricardo Tranquilin. “É um trabalho artístico em equipe e o resultado final é prazeroso e motivador”, afirma Hernandes.

As fotos retratam materiais cerâmicos que foram captados por sistemas de microscopia eletrônica a partir de alguns óxidos produzidos na forma de pó. “Esses materiais são usados em nossas pesquisas na fabricação de sensores e em dispositivos para a geração de luz branca”, explicou.

“As imagens resultantes são reais, não estamos mostrando algo que criamos. É a natureza, mas a natureza que podemos controlar. Temos sugestões de pessoas que olham e querem participar do processo. Tem alunos e professores que mandam e-mail sugerindo acréscimos de informação que seguramente devemos incorporar nos próximos vídeos”, disse.

Com trilha sonora de música erudita, os vídeos compõem hoje a série Nanociência e Nanotecnologia: o tempo da nanoarte. Os DVDs do projeto Nanoarte estão disponíveis aos interessados e podem ser adquiridos gratuitamente. Os pedidos devem ser encaminhados para os e-mails dos professores Hernandes (hernandes@ifsc.usp.br) ou Elson Longo (elson@iq.unesp.br).

Nanoarte: www.cmdmc.com.br/nanoarte
 

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