FAPESP e GSK anunciam dois novos Centros de Excelência em Pesquisa | AGÊNCIA FAPESP

FAPESP e GSK anunciam dois novos Centros de Excelência em Pesquisa Projetos apoiados receberão investimentos da ordem de R$ 88,4 milhões para desenvolver estudos que vão ajudar a lidar com questões globais de saúde (foto: Eduardo Cesar/FAPESP)

FAPESP e GSK anunciam dois novos Centros de Excelência em Pesquisa

23 de novembro de 2015

Karina Toledo | Agência FAPESP – A FAPESP e a empresa farmacêutica Glaxo SmithKline Brasil (GSK) anunciaram na terça-feira (17/11) a criação de dois novos Centros de Excelência em Pesquisa no Estado de São Paulo – um deles sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e dedicado a desenvolver novas tecnologias na área de química sustentável e outro no Instituto Butantan, voltado à validação de alvos terapêuticos que possibilitem a criação de novos fármacos para doenças de base inflamatória.

Selecionados em duas chamadas públicas de propostas lançadas em 2014, os projetos receberão investimentos da ordem de R$ 88,4 milhões para o desenvolvimento de estudos ao longo dos próximos dez anos. Desse montante, a FAPESP e a GSK vão compartilhar R$ 34,6 milhões. Outros R$ 53,7 milhões serão investidos pelas instituições-sede.

“A FAPESP tem feito um grande esforço para ampliar as atividades acadêmicas de modo a beneficiar a indústria e a sociedade. Temos assinado acordos de parceria com empresas. Este com a GSK parece particularmente interessante, pois o Instituto Butantan tem grande tradição de pesquisa, assim como a UFSCar”, disse o presidente da FAPESP, José Goldemberg, durante o evento em que foram anunciados os projetos escolhidos.

Cesar Rengifo, presidente da GSK, contou que há cinco anos a empresa tomou a decisão de investir em países onde há ciência de qualidade, entre eles o Brasil, e para isso criou o programa Trust in Science. “Hoje confirmamos nosso compromisso, pois nosso investimento no país vai aumentar em 50% nos próximos cinco anos. Nosso objetivo é, no futuro, lançar um produto orgulhosamente descoberto no Brasil”, afirmou.

Segundo Rengifo, assim como a Argentina, o Brasil foi escolhido como parceiro-chave na América Latina por ter uma grande produção científica e contar com instituições como a FAPESP, “que conseguem articular a ciência de qualidade, de modo que os investimentos sejam canalizados para os lugares certos”. “Nossa intenção é que o grande número de publicações brasileiras se transforme em ciência aplicada”, disse o executivo em entrevista à Agência FAPESP.

Também presente no evento, o ministro de estado britânico para Comércio e Investimento, Francis Maude, ressaltou que a nova parceria reforça os laços já existentes entre FAPESP e Reino Unido. “Já há 32 acordos entre a FAPESP e universidades e empresas britânicas. A instituição também é a parceira brasileira em diversos programas dedicados a promover colaboração além-mar”, disse.

Maude disse estar confiante de que a nova parceria levará à produção de ciência de excelência e a impactos sociais e econômicos significativos. “Os resultados vão nos capacitar para lidar melhor com questões globais de saúde e, ao longo do caminho, gerar crescimento e empregos no Brasil e no Reino Unido”, afirmou.

Escopo dos novos centros

Coordenado pela professora Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, no Instituto Butantan, o Centro de Excelência para Descoberta de Alvos Moleculares (Centre of Excellence for Research in Target Discovery) tem como objetivo identificar alvos moleculares e vias de sinalização envolvidas em doenças de base inflamatória, como artrite reumatoide, síndrome metabólica e doenças neurodegenerativas.

A ideia é usar produtos naturais, como venenos e secreções animais, na validação dos alvos terapêuticos, abrindo caminho para o desenvolvimento de novos fármacos.

Já o Centro de Excelência em Química Sustentável (Centre of Excellence for Research in Sustainable Chemistry), coordenado pela professora da UFSCar Arlene Gonçalves Corrêa, terá como missão buscar métodos mais eficientes de síntese orgânica, com menor impacto ambiental.

As pesquisas vão privilegiar o uso de solventes e fontes de energia sustentáveis, reagentes mais seguros, processos mais limpos, matérias-primas renováveis e buscar métodos “verdes” para triagem de compostos ativos. Além de pesquisadores da UFSCar, a equipe contará com membros da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, explicou que os projetos que darão origem aos centros foram selecionados por um comitê de cientistas escolhido pela Fundação e pela GSK.

Segundo Brito Cruz, com base na experiência acumulada pela FAPESP ao longo de 20 anos de fomento à pesquisa colaborativa entre universidade e indústria, foram estabelecidas algumas características consideradas prioritárias para assegurar que os centros atinjam os objetivos propostos.

“Em primeiro lugar, é preciso ter um plano para produzir ciência de primeira classe. Além disso, as instituições-sede devem se comprometer a oferecer apoio adequado para os centros funcionarem. Finalmente, é preciso haver pesquisadores da empresa trabalhando junto com os da universidade. Em cada centro há um coordenador, que é o investigador principal, e há também um coordenador adjunto, que será um pesquisador qualificado, apontado pela empresa, que será um pesquisador visitante na instituição-sede. O objetivo é ter certeza de que o parceiro será envolvido em todas as decisões e na operação cotidiana dos centros. Queremos que uma real parceria se desenvolva”, ressaltou Brito Cruz”, ressaltou Brito Cruz.

“Nós não pretendemos ficar sentados só observando. Vamos fazer parte das reuniões e das discussões”, afirmou Isro Gloger, diretor do programa Trust in Science, da GSK.

Gloger contou que o programa foi lançado em 2011 e disse que a empresa teve “sorte de firmar um acordo com a FAPESP”. “Criamos um programa que acredito ser único, pois não envolve apenas financiamento, mas também colaboração da empresa com grupos acadêmicos. A GSK é um participante científico muito ativo. E, segundo o acordo, a propriedade intelectual pertencerá ao cientista que de fato fizer a descoberta”, disse Gloger.

Jorge Elias Kalil Filho, diretor do Instituto Butantan, comemorou a oportunidade de contar com o apoio de uma grande empresa como a GSK para transformar as descobertas feitas na instituição em produtos úteis à sociedade.

Targino de Araújo Filho, reitor da UFSCar, afirmou que a criação do centro – no momento em que a instituição celebra seu 45º aniversário – é um presente e um reconhecimento da qualidade e do esforço de seus pesquisadores. Segundo ele, a forma como o centro será estruturado permitirá à universidade contribuir plenamente para o desenvolvimento do país.
 

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