FAPESP apresenta a parlamentares balanço de sua atuação | AGÊNCIA FAPESP

FAPESP apresenta a parlamentares balanço de sua atuação Diretor-presidente falou a deputados da Comissão de Ciência, Tecnologia, Informação e Inovação da Alesp sobre avanços em programas apoiados por recursos públicos (foto: Andresa Gouvêa)

FAPESP apresenta a parlamentares balanço de sua atuação

13 de março de 2018

Sandra Muraki  |  Agência FAPESP – O diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Américo Pacheco, informou aos deputados da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que vem crescendo o apoio a projetos de pesquisas em pequenas empresas inovadoras e em programas especiais, como o BIOTA (biodiversidade) e o BIOEN (bioenergia). Apoios a Projetos Temáticos, cujos auxílios são de maior duração e dirigem-se a pesquisas de maior ousadia científica e abrangência, também registram incremento desde 2013.

Em reunião em 7 de março, destinada à prestação de contas anual ao Legislativo paulista, Pacheco relatou que a FAPESP realizou em 2017 um desembolso no valor de R$ 1,1 bilhão, dividido em apoios a pesquisas com vistas a aplicações (53%), ao avanço do conhecimento (39%) e à infraestrutura de pesquisa (8%).

No reparte desse volume de recursos por áreas, Ciências da Vida receberam 40,5%, Ciências Exatas e da Terra e Engenharias ficaram com 37%, Interdisciplinar, 11,5%, e Ciências Humanas e Sociais, 11%. Por linha de fomento, a concessão de bolsas no país e no exterior é a que, historicamente, recebe a maior parte dos financiamentos (cerca de 35%).

“Estamos conseguindo equilibrar os pratos entre inovação e pesquisa acadêmica”, disse Pacheco aos deputados Orlando Bolçone (presidente da Comissão), Davi Zaia (vice-presidente), Marco Vinholi e Reinaldo Alguz.

Pacheco destacou que os programas especiais produzem pesquisas na fronteira do conhecimento e, por isso, demandam recursos de longo prazo, como os 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP. Esses centros de excelência, instalados em universidades e institutos paulistas, recebem financiamento por 11 anos para pesquisas de abrangência em temas como terapia celular e genoma humano.

“Somos muito seletivos na concessão desses recursos, pois são financiamentos de longo prazo e a FAPESP exige padrão internacional de pesquisa para esse tipo de apoio”, disse.

Pacheco citou ainda o programa BIOTA, que atua na caracterização, conservação, restauração e sustentabilidade da biodiversidade de São Paulo. O BIOTA tem colaborado com a regulamentação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente para uso e proteção da biodiversidade e com a definição de políticas públicas de preservação ambiental.

Em relação ao BIOEN, programa de pesquisa sobre bioenergia, o diretor-presidente destacou a importância da realização de pesquisas com cana-de-açúcar e outras fontes renováveis. Outro programa de relevância financiado por recursos públicos é relacionado a doenças que têm o mosquito Aedes aegypti como vetor. A FAPESP tem apoiado esforços na pesquisa sobre o mosquito, os vírus e o desenvolvimento da vacina contra a dengue realizado pelo Instituto Butantan.

Pacheco também informou aos parlamentares sobre o andamento da seleção dos institutos de pesquisa de São Paulo que receberão recursos de uma linha de fomento criada a partir de um debate realizado na Assembleia Legislativa na aprovação do Orçamento de 2017. A chamada realizada para apoio a Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa voltado a ampliar a capacitação científica e tecnológica dos institutos recebeu 19 propostas. “Usamos os critérios normais da Assessoria Científica da FAPESP para analisar as propostas, mas criamos também uma comissão especial composta por ex-diretores de institutos que entendem a estratégia institucional de pesquisa para avaliar estas propostas e cremos que isso foi bem recebido pelos institutos.”

Pacheco disse que 12 projetos foram recomendados por essa comissão e o processo deverá ser finalizado em breve. Essa chamada, segundo o diretor-presidente, deu à FAPESP um aprendizado de como operacionalizar processos de financiamento dessa natureza.

Competitividade internacional e inovação

Os acordos de cooperação internacional têm recebido especial atenção da Fundação, segundo Pacheco. “Queremos estimular a comunidade científica do Estado para que colabore internacionalmente, pois isso implica melhorar a qualidade da nossa pesquisa.”

A FAPESP tem acordos atualmente com cerca de 160 universidades estrangeiras e entre 10 e 15 convênios são aprovados por mês. O diretor-presidente acrescentou que esses acordos permitem que os pesquisadores paulistas atuem em colaboração com outros pesquisadores qualificados do mundo inteiro.

“Isso vale tanto para a área científica como para a área econômica. Empresas que querem colocar seus produtos lá fora são forçadas a competir com outros concorrentes. A competição internacional é muito positiva para a inovação e para a qualidade da ciência”, complementou.

O diretor-presidente informou que a Fundação está em conversação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) para promover a internacionalização das pequenas empresas apoiadas pelo programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). O objetivo é incentivar essas companhias a pensar em soluções que as tornem competitivas internacionalmente. “Quanto mais a empresa estiver focada numa inovação global, mais competitiva ela é”, disse.

O apoio à inovação tecnológica registrou o maior número de contratações de projetos nos últimos anos. O PIPE teve uma contratação por dia útil em 2017, fechando o ano com 250 concessões. Em 20 anos de existência, o programa já beneficiou mais de 1,9 mil projetos de 1.219 pequenas empresas de base tecnológica e startups em mais de 125 municípios do Estado. Com o objetivo de apoiar a pesquisa científica ou tecnológica e estimular a criação de uma cultura de inovação nessas companhias, o PIPE se tornou o maior programa de apoio a pequenas empresas e startups do país.

E o programa irá crescer ainda mais, segundo Pacheco. Ele informou aos deputados que o Conselho Superior da FAPESP decidiu, como meta para os próximos 5 anos, duplicar o número de empresas do PIPE. Isso irá demandar um reforço na estrutura do programa, que necessita de grupos de consultores para avaliação e acompanhamento dos projetos, não só do ponto de vista do valor científico da pesquisa como também da sustentabilidade do negócio.

Essa decisão da FAPESP está amparada no entendimento de que as pequenas empresas e startups do PIPE são fundamentais na renovação da indústria paulista. Pacheco relatou que o programa está apoiando projetos em manufatura avançada, em áreas como automação, big data, inteligência artificial e robótica, e um número crescente de pequenas empresas está trabalhando com esses temas. “Entendemos que a melhor maneira de renovar a indústria paulista é por meio dessas pequenas empresas. As grandes não têm o mesmo ambiente e cultura para o desenvolvimento de ideias e inovação.”

Respondendo a um questionamento do deputado Davi Zaia sobre o estado da inovação no Brasil comparado a outros países, Pacheco apontou alguns setores em que o país, e particularmente o Estado de São Paulo, vai bem: o agronegócio, “em que a tecnologia já faz parte do dia-a-dia”, inteligência artificial e indústria aeronáutica, capitaneada pela Embraer.

“A pesquisa vai bem onde a economia vai bem”, afirmou Pacheco. Segundo ele, o Brasil é o país que produz mais artigos científicos per capita sobre pesquisa agrícola em revistas internacionais e é campeão em aplicação de tecnologia agropecuária. Ele disse que a FAPESP financiou nos últimos anos cerca de 40 agrotechs. Para o deputado Zaia, “se os países quiserem continuar competitivos e na fronteira do desenvolvimento, têm que apostar na ciência, na pesquisa e na tecnologia”.

Pesquisa colaborativa

O diretor-presidente da FAPESP destacou ainda os esforços em pesquisa colaborativa em programas que reúnem a Fundação, grandes empresas do Brasil e do exterior e instituições de pesquisa de São Paulo. Um deles é o programa de Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), no qual projetos de pesquisa em temas de interesse da corporação são desenvolvidos com recursos financeiros da FAPESP e das empresas e recursos econômicos da instituição de pesquisa. Atualmente, há 200 PITEs contratados com empresas como Embraer, Natura, Sabesp, Oxiteno, GSK, Agilent e outras.

O programa dos Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE), que também é realizado em parceria entre a Fundação, empresas e universidades, tem como objetivo desafios de pesquisa de médio e longo prazos com alto impacto científico e tecnológico. “Nos CPEs, estimulamos a pesquisa mais audaciosa, de mais qualidade, na empresa e, nesse sentido, é um programa bom também para as universidades, que têm um desafio de longo prazo”, afirmou Pacheco, que acrescentou que ainda em março será assinado o contrato para o décimo-segundo Centro de Pesquisa em Engenharia.

Como exemplo desse desafio, o diretor-presidente da FAPESP menciona a recém-realizada chamada para CPEs de Manufatura Avançada. O objetivo é desenvolver pesquisas nas áreas de impressão 3D, manufatura aditiva, inteligência artificial, novos materiais, entre outras, proporcionando o desenvolvimento de tecnologias para atender a diversos tipos de indústria. “Serão aplicações em várias frentes de conhecimento para renovar estratégias industriais”, completou. Segundo Pacheco, a chamada recebeu 12 propostas, agora em processo de avaliação.

Sugestões da Comissão de Ciência e Tecnologia

O deputado Marco Vinholi sugeriu à FAPESP uma maior aproximação com as Prefeituras municipais do Estado de São Paulo, a fim de dar-lhes informações sobre a criação e implementação de políticas públicas. Vinholi também propôs a realização de um evento na Assembleia Legislativa dirigido aos Executivos municipais para discussão de temas de relevância para a gestão pública.

O deputado Reinaldo Alguz apontou para necessidade de aumentar a divulgação para a sociedade dos projetos de pesquisa científica realizados no Estado. Para ele, os veículos de comunicação de massa deveriam ter espaço para esse tipo de comunicação de “boas notícias”. Segundo Alguz, o incremento da divulgação junto a categorias como o empresariado ampliaria as oportunidades de financiamento para as pesquisas.

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