Escurecimento global | AGÊNCIA FAPESP

Estudo publicado na Science indica que a visibilidade no céu sobre a superfície terrestre tem caído desde 1973, por conta do aumento de partículas derivadas da poluição (divulgação)

Escurecimento global

13 de março de 2009

Agência FAPESP – Céu azul? Nem tanto. Pelo menos não como costumava ser há apenas três décadas, segundo pesquisa publicada nesta sexta-feira (13/3) pela revista Science.

O estudo, feito por pesquisadores das universidades de Maryland e do Texas, nos Estados Unidos, analisou dados de concentrações de aerossóis desde 1973 e apontou que a visibilidade sobre os continentes tem caído seguidamente.

Aerossóis são partículas sólidas ou líquidas em suspensão na atmosfera, que podem ser, por exemplo, fuligem, poeira e partículas de dióxido de enxofre. Ou seja, poluição, principalmente derivada da queima de combustíveis fósseis.

Segundo o estudo, está justamente na poluição promovida pelo homem o maior motivo para que o céu sobre a superfície terrestre não esteja tão visível hoje como há 36 anos.

Kaicun Wang, da Universidade de Maryland, e colegas analisaram as concentrações de aerossóis e a profundidade óptica, isto é, a visibilidade em céu aberto.

Os pesquisadores verificaram que em todos os continentes a visibilidade piorou, com exceção da Europa, onde a situação está melhor do que em 1973, sinal de que as medidas antipoluição têm surtido efeito no continente.

Os dados foram obtidos de 3.250 estações meteorológicas em todo o mundo, compiladas pelo Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos. Também foram usados registros feitos por satélites. Visibilidade foi considerada a distância que um observador consegue ver com clareza a partir de um determinado ponto – quanto mais aerossóis estão presentes no ar, menor a distância vista.

Em 58% das estações, a queda na visibilidade foi pelo menos cinco vezes maior do que na média mundial. Segundo os autores do estudo, o cenário mais grave está na Ásia, onde a visibilidade caiu principalmente na última década.

“É a primeira vez que conseguimos informações globais de longo prazo a respeito de aerossóis sobre a superfície terrestre, que se somam aos dados já existentes sobre os oceanos. A base que reunimos se configura em um importante passo à frente na pesquisa sobre mudanças de longo prazo na poluição do ar e na correlação desse fator com as mudanças climáticas”, disse Wang.

Aerossóis afetam a temperatura superficial da Terra ao refletir a luz solar de volta ao espaço – reduzindo a radiação na superfície – ou ao absorver a radiação, aquecendo a atmosfera. Os efeitos de esfriamento e aquecimento promovidos pelas partículas suspensas modificam as formações de nuvens e de chuvas.

Diferentemente dos aerossóis, o dióxido de carbono e outros gases, apesar de causadores do efeito estufa, são transparentes e não afetam a visibilidade.

O artigo Clear sky visibility has decreased over land globally from 1973 to 2007, de Kaicun Wang e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
 

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