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Editores científicos participam do Curso de Atualização SciELO-ScholarOne | AGÊNCIA FAPESP

Editores científicos participam do Curso de Atualização SciELO-ScholarOne Em sua terceira edição, curso tem como objetivo a capacitação de editores para aumentar o impacto da ciência feita no Brasil (foto: SciELO)

Editores científicos participam do Curso de Atualização SciELO-ScholarOne

31 de agosto de 2017

Maria Fernanda Ziegler  |   Agência FAPESP – Editores de 75 dos 285 periódicos científicos que integram o Scientific Electronic Library On Line (SciELO) – programa financiado pela FAPESP – reuniram-se no dia 18 de agosto no auditório da FAPESP para o III Curso de Atualização SciELO-ScholarOne.

O objetivo do encontro foi aperfeiçoar o uso do sistema e serviços da plataforma de submissão ScholarOne. Nos últimos anos, houve um aumento significativo no número de publicações e de artigos científicos no Brasil e, com isso, uma crescente preocupação em ampliar a relevância e o impacto destes estudos na ciência mundial. Dado esse cenário, a intenção do SciELO com o curso foi apostar na capacitação de profissionais.

“Em 2016, os indicadores mostraram um avanço dos periódicos no Brasil e nós entendemos que um dos motivos é o esforço de profissionalizar a edição deles. Isso faz com que eles sejam competitivos internacionalmente”, disse Abel Packer, coordenador-geral do SciELO, em vídeo divulgado durante o workshop.

De acordo com os dados do SciELO, houve um crescimento na rejeição dos artigos por parte dos periódicos, chegando próximo à taxa de 50%. “Notamos uma crescente preocupação com a validação, se o autor é realmente a pessoa daquele perfil, se há plágio ou fraude. Isso é importante, exige tempo e serve também para refletir sobre as boas práticas e uso de ferramentas”, disse Alex Mendonça, responsável pelo treinamento e apoio aos periódicos do SciELO.

Uma das palestras do curso foi sobre o ORCID (Open Researcher and Contributor ID), uma espécie de carteira de identidade internacional para pesquisadores. Esse identificador digital de acesso aberto, formado por 16 dígitos, ajuda a distinguir o autor do artigo de outros pesquisadores e a conectar o seu nome com todos os seus trabalhos e bolsas realizados.

“Não é um perfil, é um sistema aberto gerenciado pelos pesquisadores e validado pela comunidade. A comunidade acadêmica precisa confiar nesses dados e o ORCID surgiu de uma iniciativa da comunidade acadêmica. A fonte de informação deixa de ser o próprio pesquisador e passa a ser a editora, a universidade, a FAPESP, ou o instituto de pesquisa. São os membros que constroem esse ambiente de confiança de informação validada nos registros ORCID”, disse Ana Heredia, diretora regional do ORCID na América Latina e Espanha.

Segundo a revista Science, com 3 milhões de perfis ou 25% dos pesquisadores em todo o mundo, o ORCID tem facilitado a validação de autores por periódicos.

No Brasil, universidades como Unesp e USP já são membros ORCID. “Achamos que o Brasil tem potencial para ser um modelo internacional de uso do ORCID. Já temos toda a infraestrutura pronta, até por ter o Currículo Lattes montado e outras ferramentas, para poder fechar esse ciclo de validação com o ORCID”, disse Heredia.

Plágio

Em outra palestra do curso, Marina Prado, gerente da Turnitin Brasil, plataforma de prevenção e detecção de conteúdo não original oferecida a todos os periódicos que integram o SciELO, falou sobre a importância de apontar pontos críticos dos artigos aos autores e orientá-los.

“É importante saber que nem tudo que é coincidente em um artigo é plágio, às vezes é uma citação malfeita que tenha passado despercebida pelo autor. Por isso, esse não deve ser um software punitivo, mas sim para orientar o autor e apontar para ele quais são os pontos críticos que podem se tornar plágio se não forem corrigidos”, disse Prado.

Além de mostrar o funcionamento da plataforma de detecção, Prado apresentou uma tabela com os diferentes tipos de problemas identificados na Turnitin, como clone, cópia de parte do artigo, substituição de palavras, mistura de conteúdos.

“O índice de originalidade é importante não só para o sucesso do periódico de vocês, mas também porque faz com que os artigos tenham sucesso internacional”, disse Prado.

Também foi observado pelo SciELO um aumento pequeno, de 2016 a 2017, de periódicos que trabalham com avaliação pelo sistema duplo-cego – quando o autor não sabe quem são os pareceristas e os pareceristas não sabem quem são os autores.

“O que podemos tirar de conclusão é que parece que estamos fechando mais as avaliações em vez de abri-las. Tem se falado muito em avaliação por pares aberta, open peer review, de abrir os pareceres para discussão, mas, pelo menos na análise que fizemos, está ocorrendo o contrário”, disse Mendonça.
 

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