1 Desenvolvimento infantil é tema de seminário na FAPESP | AGÊNCIA FAPESP

Desenvolvimento infantil é tema de seminário na FAPESP | AGÊNCIA FAPESP

Desenvolvimento infantil é tema de seminário na FAPESP Reunião científica apresenta resultados de pesquisas apoiadas pela FAPESP e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (Foto: Wikimedia Commons)

Desenvolvimento infantil é tema de seminário na FAPESP

02 de dezembro de 2016

Agência FAPESP – A FAPESP e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV) realizam em 9 de dezembro o II Seminário de Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil. O objetivo do encontro é promover maior interação entre as equipes coordenadas por pesquisadores responsáveis por 15 projetos de pesquisa realizados desde 2014 e os coordenadores dos cinco projetos selecionados em 2016 pelas duas Fundações na área de desenvolvimento da primeiríssima infância (da gestação aos 3 anos).

Desde 2011, 31 projetos de pesquisa científica foram selecionados a partir de três Chamadas de Propostas lançadas em 2011, 2012 e 2015 no âmbito do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica assinado entre a FAPESP e a FMCSV em 2010.

Os resultados a serem apresentados no Seminário tratam de temas como avaliação de filhos de mães soropositivas; boas práticas em creches do Estado de São Paulo; habilidades de linguagem em crianças pré-escolares; lactentes abrigados; dificuldades comportamentais; habilidades sociais em crianças com autismo; e temperamento e comportamento em crianças nascidas prematuras.

Pesquisas apoiadas

Com foco em ações de prevenção, uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) avaliou indicadores de temperamento e comportamento em crianças com idade entre 18 a 36 meses, nascidas prematuras, com menos de 37 semanas de idade gestacional, que apresentam maior risco de desenvolver problemas de comportamento – especialmente na área de atenção – quando comparadas com crianças nascidas a termo.

“O resultado da análise de variáveis como o nível de prematuridade e intercorrências clínicas associadas ao desenvolvimento da criança permite a contribuição da pesquisa a programas de prevenção para diminuir o impacto negativo desses riscos e evitar o desencadeamento de transtornos antes do período de escolarização”, diz Maria Beatriz Martins Linhares, docente da FMRP-USP e coordenadora do Laboratórios de Pesquisa em Prevenção em Problemas de Desenvolvimento e Comportamento da Criança (LAPREDES), responsável pela pesquisa.

Outro projeto selecionado na segunda Chamada do Acordo FAPESP-FMCSV, lançada em 2012, coordenado por Lucia Cavalcanti de Albuquerque Williams, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (CECH-UFSCar), avaliou a intervenção junto aos pais para prevenção do trauma cerebral abusivo, conhecido como a “síndrome do bebê sacudido”.

O trauma decorre do ato de sacudir violentamente o bebê ou qualquer criança menor de 5 anos, podendo causar a morte e alta probabilidade de deixar sequelas neurofisiológicas, como paralisia cerebral.

“No Brasil não existem dados sobre a prevalência do trauma cerebral abusivo e os próprios médicos neurologistas afirmam que ele é muito pouco conhecido no país”. De acordo com a pesquisadora, o diagnóstico é muito difícil e apenas um exame neurológico profundo pode detectar uma hemorragia na retina que diferencia o trauma cerebral de outros acidentes.

“A pesquisa mostrou que o disparador da atitude que leva ao trauma é o choro da criança, considerado uma função de sobrevivência, e identificou atitudes recomendáveis de pais e cuidadores, que podem prevenir casos graves”, disse a pesquisadora.

O estudo avaliou o conhecimento sobre o trauma cerebral abusivo e as atitudes de 254 pais em municípios no Estado de São Paulo antes e depois de receberem um breve treino sobre essa forma de maus-tratos físicos contra crianças. A avaliação utilizou material informativo impresso e versões em português e espanhol do vídeo “Respondendo ao Choro do Bebê”, produzido originalmente pelo The Shaken Baby Prevention Project, do Hospital Infantil de Westmead, Austrália, que explicam o trauma e como evitá-lo.

O Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre a FAPESP e a FMCSV financia pesquisas nas áreas de Saúde, Educação, Economia, Pedagogia, Psicologia e Assistência Social com foco na primeira infância. O documento assinado em 2010 prevê um aporte de R$ 3,6 milhões, desembolsados ao longo de dez anos, em partes iguais pelas duas instituições.

Mais informações sobre a programação estão disponíveis em www.fapesp.br/eventos/iifmcsv.

Para inscrições acesse: www.fapesp.br/eventos/iifmcsv/inscricoes
 

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