Desafios de governança ambiental em São Paulo serão estudados a partir da interdisciplinaridade | AGÊNCIA FAPESP

Desafios de governança ambiental em São Paulo serão estudados a partir da interdisciplinaridade Grupo de mais de 50 pesquisadores pretende avançar no conhecimento e inovação associados à adoção de práticas de gestão da água e implementação de governança ambiental (foto: Hamilton Furtado / Wikimedia)

Desafios de governança ambiental em São Paulo serão estudados a partir da interdisciplinaridade

05 de dezembro de 2018

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – Questões como saneamento ambiental, água, serviços ecossistêmicos, energia, cidades e mudanças climáticas tendem a se sobrepor quando analisadas sob a ótica da governança ambiental de uma região. Tendo isso em vista, grupo formado por mais de 50 pesquisadores de instituições paulistas está estudando a governança ambiental na macrometrópole paulista a partir da interdisciplinaridade.

"É importante dizer que nesse projeto não há hegemonia. O importante é fazer pontes. Nossa preocupação é estar o tempo inteiro criando um diálogo horizontal de conhecimento, para que todos estejam, na medida do possível, fortalecendo um espírito de corpo interdisciplinar. Nesse sentido, estamos sendo inovadores na forma de fazer, além de também estarmos propondo inovações", disse Pedro Jacobi, coordenador do Projeto Temático Governança Ambiental da Macrometrópole paulista face à variabilidade climática, em palestra na FAPESP Week New York. O encontro foi realizado na City University of New York (CUNY) de 26 a 28 de novembro de 2018.

De acordo com Jacobi, o objetivo do projeto, além de diagnosticar problemas ambientais da macrometrópole, está em propor também boas práticas. “Queremos mostrar aos formuladores de políticas públicas que há oportunidades nos três níveis de governo para boas práticas”, disse.

O impacto das mudanças climáticas como um agravante à urbanização desorganizada foi percebido em São Paulo, por exemplo, no período de escassez hídrica, em 2015.

De acordo com os pesquisadores do projeto, a questão, inclusive, transcendeu a área da Região Metropolitana de São Paulo, avançando para regiões das bacias do Piracicaba-Capivari-Jundiaí, médio Tietê, Paraíba do Sul e Vale do Ribeira.

“Estamos com uma situação complicada em relação à água. Precisamos levar à opinião pública que a água é um bem escasso, que precisa ser tratado de forma diferente e que a população precisa fazer parte dessa discussão”, disse Jacobi.

Não por acaso, o Projeto Temático trabalha com um recorte geográfico inovador: o da macrometrópole, ambiente que perpassa regiões metropolitanas que se inter-relacionam. A área da macrometrópole paulista abrange 174 municípios das regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e entorno do Vale do Paraíba.

O projeto está centrado em cinco eixos temáticos: saneamento ambiental, território, serviços ecossistêmicos, energia e mudanças climáticas.

“Entendo que, lamentavelmente, a cultura interdisciplinar é ainda bastante frágil na formação das pessoas. Portanto, as ciências sociais, em geral, dialogam pouco com as ciências exatas, biológicas. Incentivar o diálogo entre as diferentes áreas é uma preocupação que norteia o nosso trabalho”, disse Jacobi.

Há ainda um eixo transversal que é a aprendizagem social que tem por objetivo processo de produção de conhecimento que não fique restrito a um núcleo de especialistas.

“A ideia é fortalecer um conjunto de iniciativas que permitam ampliar o diálogo com a sociedade, com aqueles que estão envolvidos em políticas públicas e com as organizações não governamentais, que têm sido importantes no seu diálogo com a gestão de políticas públicas”, disse.

O projeto já conta com 15 artigos que estão sendo submetidos para publicação, uma revista e dois livros no prelo.
 

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