Controle glicêmico a distância | AGÊNCIA FAPESP

Empresa incubada no Cietec desenvolve software que auxilia diabéticos no controle dos nível de glicose no sangue, com a vantagem de os parâmetros terapêuticos do tratamento poderem ser atualizados pelo médico em tempo real

Controle glicêmico a distância

06 de junho de 2007

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – O controle do nível de glicose no sangue por diabéticos ganhou um novo aliado com o lançamento do Glic-OnLine, software que permite ao médico acompanhar e tratar seus pacientes a distância e em tempo real.

O programa é desenvolvido pela Quasar Telemedicina, empresa do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), em parceria com o Núcleo de Excelência em Atendimento ao Diabético (Nead) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Após medir as condições glicêmicas com o auxílio de um glicosímetro, o paciente cadastra os resultados em um prontuário eletrônico na internet por meio de dispositivos móveis como celular ou palmtop. Além da glicose no sangue, dados nutricionais e sobre o estado físico geral também devem ser enviados.

Em poucos minutos o paciente recebe uma resposta do sistema sobre a insulinização adequada. "Como o organismo do paciente diabético não consegue metabolizar o açúcar devido à falta de insulina, ele precisa fazer uma série de cálculos, antes de cada refeição, para verificar a quantidade de insulina necessária para compensar os alimentos ingeridos", disse Floro Dória, diretor da Quasar, à Agência FAPESP.

"Com base nas informações fornecidas pelo paciente e em sua prescrição médica disponível no Glic-OnLine, o software automaticamente indica, de acordo com a composição energética de cada alimento, quantas unidades de insulina devem ser aplicadas para manter a glicemia em níveis aceitáveis", contou Dória.

Segundo ele, além de os parâmetros terapêuticos do tratamento poderem ser monitorados e atualizados por médicos a qualquer momento, o software dispensa blocos de anotação, tabelas e calculadoras normalmente utilizadas para o cálculo da insulina que será ingerida.

"Hoje, os pacientes anotam em uma tabela os alimentos que pretendem comer e fazem uma série de regras de três, o que pode dar margem a erros. Eles se submetem a isso pela qualidade de vida oferecida por essa metodologia de tratamento, conhecida como terapia de insulinização basal-bolus, em que a insulina é tomada na dose exata da ingestão dos carboidratos e gorduras", explicou.

Floro Dória citou reportagem publicada na Agência FAPESP, que indicou que 75% dos pacientes no Brasil estão com controle glicêmico inadequado, o que acaba gerando grande prejuízo aos planos privados e sistemas públicos de saúde no país.

"Calcula-se que 20% do total de pacientes vinculados a planos de saúde privados no Brasil respondem por 80% dos custos fixos dessas empresas. O problema é que estatísticas internas dessas mesmas empresas mostram que a maior parte desses pacientes é hipertensa ou diabética", destacou.

O Glic-OnLine foi desenvolvido com apoio do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe), da FAPESP, por meio do projeto Sistema de controle de glicemia a distancia, coordenado por Karla de Melo Cabral Fagundes , do Nead. O software já está sendo comercializado junto a planos de saúde, hospitais e clínicas médicas especializadas no tratamento do diabetes.

Mais informações: quasar@cietec.org.br


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